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COOPERAÇÃO SEM MANDO

s cristina

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Tudo começou com um mundaréu de arquivos de Deleuze & Guattari gravados num CD. Aquilo começou a querer saltar da minha companhia para chegar em outras paragens. Num belo dia, descobri o ancoradouro "4shared". Lá descarreguei os arquivos e acessei comunidades do orkut que discutem o pensamento de Deleuze, Foucault, Nietzsche, Bauman, Kurz etc., com um convite em punho: ampliar a biblioteca iniciada:

http://www.4shared.com/dir/1104012/94135a8/sharing.html/

Encontrei companheiríssimos de viagem, em especial, Leonardo Palma, que em si é rede de rede de redessssss e fogo que pega fácil. Num final de semana, a biblioteca do cooperação já contava com novos 450 arquivos, no outro, com mais um montão. O endereço foi deletado duas vezes e está em pé de novo.
Este espaço aqui é um Cooperação sem mando com voz, cores e música e, principalmente, suporte para alianças e proliferações. Tá no comecim...
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Scristina
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Essa "cooperação" é um mundo do desconhecido, da surpresa e do encanto. Encanto para a vida... Surpresa dos espaços que caminham ao lado e nem se pensa neles.
Apr. 27

Um assalto ao processo de paz em Gaza

 
 
 
 
 
Um assalto ao processo de paz
"O alvo de Israel foi a linha de produção das indústrias em Gaza" (Federação Palestina das Indústrias, 25/1/2009)

 

Donald Macintyre: The Independent, UK, 25/1/2009
http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/donald-macintyre-an-assault-on-the-peace-process-1515732.html

 

 

O exército de Israel atacou, com bombardeio aéreo massivo, morteiros, tanques e blindados de todo tipo toda a capacidade de produção de algumas das mais importantes fábricas e instalações industriais na Faixa de Gaza, durante os 22 dias de guerra em Gaza.

Os ataques – como os que destruíram pelo menos 4.000 residências e tiveram efeito de terremoto em quarteirões inteiros e produziram mais de 50 mil desabrigados – destruíram ou danificaram seriamente 219 fábricas, informam industriais palestinos.

Lideranças de empresários e industriais, em Gaza – que sempre procuraram manter-se afastados dos vários partidos políticos locais – dizem que, nesses ataques, foram destruídos os 3% das indústrias que ainda conseguiam operar depois de 18 meses de bloqueio econômico decretado por Israel contra Gaza.

Chris Gunness, principal porta-voz da Agência de Socorro Humanitário da ONU, disse que a destruição foi total e visou a "infra-estrutura econômica civil." Foi "um ataque direto contra o processo de paz, porque a estabilidade econômica é componente essencial de qualquer paz durável".

Ao mesmo tempo, outro alvo dos ataques israelenses parece ter sido as já quase inexistentes possibilidades de reconstruir Gaza em prazo médio ou longo. Os ataques tampouco contribuíram para melhorar as difíceis condições em que a população tem de sobreviver.

Várias organizações humanitárias inglesas têm tentado contribuir para ajudar aquelas populações – esforço do qual a BBC parece não desejar participar. Enquanto isso, a Agência de Socorro Humanitário da ONU continua a pedir doações, tentando reunir os $345m para os primeiros reparos em casas que ainda estão em pé, embora muito danificadas.

Dentre as fábricas destruídas estão Alweyda (a principal empresa de processamento de alimentos e a única que ainda operava em Gaza antes dos ataques israelenses de dezembro-janeiro); Abu Eida (a maior produtora de concreto para fabricação de blocos para construção e que foi totalmente destruída); e o Moinho Al Badr, empresa com 89 anos de existência, dona dos maiores armazéns para estocagem de farinha, em toda a Faixa.

Os proprietários dessas três empresas disseram ontem que há anos trabalhavam em parceria com empresas e fornecedores israelenses. Yaser Alweyda, engenheiro, proprietário e diretor de operações da empresa de processamento de alimentos que foi destruída, estima em 22 milhões o custo para reparar a fábrica. E acusou Israel de ter deliberadamente atacado "a já tão fraca economia Palestina". Acrescentou: "Estão fazendo o que fazem para garantir que jamais venha a existir um Estado da Palestina."

Tawfiq Abu Eida, proprietário da fábrica de concreto, contou que, antes dos ataques israelenses, estava organizando-se para fornecer concreto para as obras do serviço público de esgotos, em Beit Lahiya – projeto-chave de Tony Blair, enviado especial da União Européia ao Oriente Médio. "Os ataques por ar e por terra foram mais um movimento do bloqueio, disse ele."

Para Amr Hamad, gerente executivo da Federação Palestina das Indústrias, "O que os israelenses não conseguiram com o bloqueio econômico, conseguiram agora com os blindados e os bombardeios." E acrescentou: "Os empresários da Palestina não têm contato algun com Hamás algum. Somos empresários pragmáticos e sabemos a importância de haver aqui uma paz estável. Também sabemos que Israel é parceiro necessário nos nossos negócios", disse Hamad.

[...] Na empresa Moinhos Al Badr, em Sudaniya, norte da cidade de Gaza, o proprietário, Rashed Hamada, 55, disse que sua empresa operou até o dia em que foi atacada, 10 de janeiro. Negou que a fábrica, que permanece trancada durante a noite e tem guarda de vigilância dia e noite, tivesse sido usada por resistentes do Hamás. "É perfeitamente evidente que o alvo foi a própria linha de produção."

"Foi como se o pai do comandante fosse dono de um moinho de produção de farinha", comentou com ironia. "Atiraram exatamente nos pontos-chave, para fazer parar a producão. E continuou: "Os israelenses, antes, insistiam para que expandíssemos a fábrica. Agora, destruíram tudo."

O Sr. Alweyda – proprietário da principal empresa de processamento de alimentos da Palestina –, parado ao lado de caminhões refrigerados incinerados e das ruínas do que foi sua fábrica, localizada, para garantir acesso fácil até Israel – entre a área leste da cidade de Gaza, no distrito de Shajaia, e a fronteira, a 650 metros dali –, disse que, além de toda a linha de produção, foram queimados 26 caminhões da empresa.

A Alweyda é a única distribuidora, para Gaza, da fábrica israelense Tnuva, que produz leite e derivados; desde o início da guerra, tentou manter, pelo menos, a produção de biscoitos. [...]

Para Amr Hamad, o objetivo dos ataques às fábricas foi tornar a economia de Gaza totalmente dependente de Israel e tentar fazer com que a população, atormentada pela falta até de comida, pressione o Hamás para que aceite as condições que Israel quer impor para reabrir as passagens de fronteira. Dentre outras exigências, Israel quer que a Autoridade Palestina controle as fronteiras e exige a libertação do soldado Gilad Shalit, capturado em combate há 2 anos e meio, pelo Hamás e outros militantes.

 

 

Sinead - no AVO Session

  

...

 
 
 
 
 
 
 
      
 Klaus Nomi -  The cold song 
 
 
 
 
 
 
E nosso amor tornou-se impossível: permanecerá vivo não como gesto imprevisível, mas silêncio impertinente.
 
 
 
 
 
 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Nova arma de microondas sonoras

 
 
 
 
 
 


 
Por Rodrigo Martin de Macedo

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A empresa americana Sierra Nevada Corportation anunciou estar pronta para manufaturar sua arma de microondas sonoras capaz de controlar multidões através de choques.
De acordo com o NewScientist a arma será chamada de MEDUSA (Mob Excess Deterrent Using Silent Audio), mas em vez de transformar seus alvos em pedra através do olhar provocará sensações de choque no esqueleto através de pulsos sonoros.

Apesar de em seu nome afirmar usar um "áudio silencioso", o efeito da arma não pode ser bloqueado e é forte o suficiente para provocar desconforto. Com a ajuda de uma antena, o raio de ação pode ser restringido ou ampliado, ou ainda direcionado a múltiplos alvos simultaneamente.

Para o cientista James Lin, que pesquisou o uso de áudio microondas e chegou até mesmo a ser contatado pela indústria da música para usar seus estudos para melhorar aparelhos de som, deve existir a preocupação a respeito dos efeitos da tecnologia. "Eu me preocuparia com que outros efeitos à saúde estão ocorrendo. Você pode ter problemas neurológicos" , alertou.

Algumas organizações de direitos humanos argumentam que a arma poderá ser usada indevidamente por governos autoritários para impedir manifestações públicas legítimas.
A arma, destinada primariamente ao uso militar ou para controle de multidões, pode até chegar a ser destinada a outros usos como, por exemplo, afastar passaredos, já que pássaros também são sensíveis ao efeito. Vale lembrar, contudo, que esta não é a primeira arma baseada em microondas. Pesquisadores já trabalham há tempos em armas que provoquem sensações de desconforto em seus alvos através da tecnologia. Em outubro de 2001, por exemplo, surgiram relatos de testes com uma controversa arma geradora de calor por microondas de rádio para dispersar multidões, um projeto do Laboratório de Pesquisa de Força Aérea dos EUA que pretendia utilizar a tecnologia para dispersar motins a longa distância e também a partir de aviões em vôos baixos.

A Active Denial System (ADS) foi testada em 2007 em um voluntário que descreveu seu doloroso ataque como algo semelhante a uma rajada de vento tão quente e dolorosa que era impossível não tentar correr para se proteger, conforme pode ser lido na Wikipédia. Outro exemplo de arma não letal é a Incapacitator, uma arma-lanterna que causa cegueira temporária, tontura e náusea, em desenvolvimento desde 2007 pela Intelligent Optical Systems a pedido do Ministério de Segurança Interior dos Estados Unidos para equipar policiais. Uma versão de demonstração da MEDUSA deve ser preparada em cerca de um ano, e agora a Sierra Nevada procura investimento do Departamento de Defesa dos EUA.

http://br.noticias. yahoo.com/ s/080704/ 7/gjpciu. html

 

 Active Denial System

 

 

 

PROJETO NO SENADO INVIABILIZARÁ REDES ABERTAS

 
 
Enquanto vários prefeitos estão abrindo o sinal de Internet wireless para sua população, a Comissão de Constituição e justiça do Senado aprova o PLC 89/2003 que responsabiliza o provedor de acesso por alguma ação ilegal que parta da sua rede. Também torna a "delação" uma obrigação do provedor. O resultado será um estado de vigilantismo. A consequência será incentivar redes cada vez mais fechadas, sem possibilidades de uso de P2P (bem ao gosto das operadoras e da MPAA e da RIAA), de implementar projetos como seti@home, de usar tecnologias novas.

Por quê? Porque o provedor terá a obrigação de notificar as autoridades competentes (leia: polícia) que um pacote de dados é suspeito. O problema é como o provedor irá identificar, por exemplo, se uma pessoa que está usando uma aplicação BitTorrent estará ou não realizando um ato ilegal (baixando um filme protegido por copyright). É provável que se escolha entre dois caminhos: invadir a privacidade e olhar os pacotes baixados ou simplesmente proibir o uso do Torrent para evitar um processo posterior. Um terceiro caminho (mais absurdo ainda!) é inundar a polícia com listas semanais de usuários do provedor que acessaram redes P2P.

Trata-se da implantação de uma sociedade da vigilância e do medo. É um projeto que nasce da mentalidade autoritária que irá igualar o Brasil ao despotismo chinês.

Vou sugerir aos meus amigos que são bons designers que façam um selo para a gente colocar em todos os blogs. Algo como: diga não ao PLC 89/03! Contra o vigilantismo na rede! Em defesa da privacidade e da liberdade!
 
 
 
[de Sérgio Amadeu - post por Volk Anna] 
 
 stasi
 
 
 
 

BANNERS CONTRA O PROJETO DO SENADOR AZEREDO

 
 
O projeto que busca implantar o estado de vigilância na rede, que quer obrigar a todo provedor a bloquear o P2P, que incita o denuncismo dos provedores de acesso é o SUBSTITUTIVO AO PLS 76/2000, PLS 137/2000 e PLC 89/03, de autoria do Senador Eduardo Azeredo (MG).
 
 
Veja o que o projeto diz no Art. 154-B:

 
"Obter dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular, quando exigida. Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
...
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem mantém consigo, transporta ou fornece dado ou informação obtida nas mesmas circunstâncias do "caput", ou desses se utiliza além do prazo definido ou autorizado.

§ 2º - Se o dado ou informação obtida desautorizadamente é fornecida a terceiros pela rede de computadores, dispositivos de comunicação ou sistema informatizado, ou em qualquer outro meio de divulgação em massa, a pena é aumentada de um terço."



Agora, repare qual é a definição de "dispositivo de comunicação" que o Senador Azeredo inseriu em seu projeto:
"Art. 154-C. Para efeitos penais considera-se:

I- dispositivo de comunicação: o computador, o telefone celular, o processador de dados, os instrumentos de armazenamento de dados eletrônicos ou similares, os instrumentos de captura de dados, os receptores e os conversores de sinais de rádio ou televisão digital ou qualquer outro meio capaz de processar, armazenar, capturar ou transmitir dados utilizando-se de tecnologias magnéticas, óticas ou qualquer outra tecnologia eletrônica ou digital similar;"

 
 
O PROJETO DO SENADOR AZEREDO, NA VERDADE, ESTÁ VOLTADO PRINCIPALMENTE À DEFESA DA INDÚSTRIA DOS INTERMEDIÁRIOS. VISA FUNDAMENTALMENTE:

1- proibir o compartilhamento de arquivos via BitTorrent (... " transporta ou fornece dado ou informação obtida nas mesmas circunstâncias")

2- criminalizar o download, a cópia e o envio de vídeos no Youtube que não estejam com as licenças claramente definidas (... "Se o dado ou informação obtida desautorizadamente é fornecida a terceiros pela rede de computadores...a pena é aumentada de um terço")

3- quer impedir o transporte de músicas e arquivos MP3 em i-pod (... "nas mesmas penas incorre quem mantém consigo, transporta ou fornece dado")

4- definir como crime o arquivamento de filmes que passam na TV (pois a TV digital e o setup box são "os instrumentos de armazenamento de dados eletrônicos ou similares, os instrumentos de captura de dados")

5- tornar um ato criminoso o fato de copiar e scanear livros e papers para o seu computador, pen-drive, sem autorização do autor, mesmo que seja para uso próprio (..."sem autorização do legítimo titular")

6- incentivar a prisão de quem baixa games e aplicativos shareware e os utiliza além do prazo definido pelo vendedor (..."desses se utiliza além do prazo definido ou autorizado")

7- inibir e transformar em criminoso quem cede o sinal da TV a cabo de sua sala para o quarto do seu irmão ou vizinho ("...conversores de sinais de rádio ou televisão digital ou qualquer outro meio capaz de processar, armazenar, capturar ou transmitir dados utilizando-se de tecnologias magnéticas, óticas ou qualquer outra tecnologia eletrônica ou digital similar")


8- transformar milhares de blogueiros que baixam imagens disponíveis na web, com ou sem mudanças em Gimp ou outro software de desenho vetorial, em criminosos. Para Azeredo, quebrar a jenela de um carro para roubar um Toca-CD e copiar uma imagem no Flickr sem consultar o autor deve receber tratamento similar. ("... Se o dado ou informação obtida desautorizadamente é fornecida a terceiros pela rede de computadores...a pena é aumentada de um terço.")

PRECISAMOS nos mobilizar em defesa da liberdade de expressão, contra o vigilantismo e contra a idéia absurda que impede a cópia de um filme, um livro e uma música para uso pessoal. O uso justo é o garante a existência das bibliotecas. É o que garante que o justo equilíbrio entre a apropriação privada da cultura e a disseminação livre e pública dos bens culturais.

O PLC do Senador Azeredo serve aos interesses da indústria de intermediação. Para combater a pedofilia não precisamos destes artigos na lei. Para combater os cracker precisamos de outros dispositivos. No próximo post, mostrarei as consequências nefastas do projeto do Senador Azeredo, que atrasará a inclusão digital e a formação de redes de conexão wireless abertas.
 
 
 
 
saiba mais...
 
  
[de Sérgio Amadeu - post por Volk Anna]
 

para esboroar o que os olhos vêem

 

 

Em cana

 

Uma organização internacional de direitos humanos alertou esta semana

para o fato de que o número de homens e mulheres atrás das grades nos

Estados Unidos subiu para 2,3 milhões de pessoas. A organização

humanitária também afirmou que os negros americanos possuem 12 vezes

mais chances de ir em cana e constituem o alvo preferencial da polícia

norte-americana. Para além das informações estatísticas, aqui do lado

debaixo da América, os presos também são quase todos pretos, jovens,

nordestinos, punks, putas, loucos, bêbados. Diante de tanta prisão,

ainda pode-se ouvir o insuportável silêncio sorridente que vai de São

Paulo à Nova Iorque.

 

esboroar o que os olhos vêem 

 

 

 

http://www.nu-sol.org/flecheira/pdf/flecheira67.pdf

 

 

 

 

Entrevista com Naomi Klein

 
 
 
A contra-revolução do neoliberalismo, um novo livro de Naomi Klein 
 
 
Não houve nenhuma revolta da elite,
mas uma verdadeira e própria contra-revolução

 

 

 

 

 

Para Naomi Klein, autora de Shock economy, seu novo livro, a privatização dos bens comuns e dos serviços sociais será mais gradual do que no passado, enquanto será dedicada maior atenção ao conflito de interesses. Mas, é consolador afirmar que estamos assistindo ao declínio do neoliberalismo.


Afirma, Naomi Klein: "O neoliberalismo tem sido uma verdadeira e própria contra-revolução. Podem de fato mudar os homens, mas os objetivos permanecem sempre os mesmos: mover uma guerra de classes contra os trabalhadores e privatizar os serviços sociais".


A entrevista que segue ocorreu em Roma, deixando ao entrevistador um gosto amargo na boca. Tantas as perguntas a fazer e pouco tempo à disposição. A reportagem e a entrevista são de Benedetto Vecchi e publicadas no jornal Il Manifesto, 26-10-2007.

 

 

Eis a entrevista.


No seu livro descreve a ascensão e a afirmação do neoliberalismo como um produto de laboratório. De uma parte, a escola de Chicago com Milton Friedman, que "dava a linha". Da outra, alguns experimentos piloto, para depois aplica aquelas doutrinas na América do Norte, na Europa...

 

Nos anos cinqüenta e sessenta, Milton Friedman era considerado um nostálgico de uma economia de mercado que não mais existia. O pensamento econômico dominante era de tipo keynesiano. As teses da escola de Chicago eram consideradas a expressão de um extremismo ideológico a favor do livre mercado fora da realidade. A economia estadunidense era próspera graças à intervenção estatal e à "colaboração" entre sindicatos e empresas. Tudo parecia andar numa outra direção daquela que sustentava Friedman.


Por certo sua apologia do livre mercado era seguramente mais aderente aos interesses das grandes corporações, mas nenhum administrador teria intervindo para sustentá-la. Ao mesmo tempo, no entanto, Friedman recebeu enormes financiamentos de fundações prestigiosas, bem como do governo, para continuar as suas pesquisas. As teorias econômicas a escola de Chicago não eram somente expressão de uma ideologia, mas também de precisos interesses econômicos, como os do big business.


Muitos estudiosos ou analistas descrevem com freqüência o neoliberalismo como uma revolta das elites para subtrair-se ao controle do Estado. Não estou de acordo, porque a história da escola de Chicago pode ser considerada a 'cover story' de uma contra-revolução, de uma guerra de classe contra os sindicatos e os direitos sociais dos trabalhadores.

 

Você sustenta que a insegurança e os desastres ambientais são usados como ardil para impor políticas neoliberais. Não crê, no entanto, que precisamente a insegurança possa tornar-se o impulso para um reforço do welfare state? No fundo, o estado social nasce também para resolver o "choque coletivo" que atingira os Estados Unidos e a Europa nos anos trinta e quarenta?

 

Os choques coletivos podem ser usados para introduzir políticas neoliberais, se os homens e as mulheres estão desorientados, sós, ou seja, se sentem sua condição como precária. Na Itália estão em ação movimentos sociais que se batem contra a precariedade das relações de trabalho, pelos direitos dos migrantes, contra a guerra. O problema é se conseguem dar continuidade à sua ação, porque somente um reforço pode ajudar na resistência às políticas neoliberais.


Tomemos como exemplo Vicenza: o projeto de ampliar a base militar estadunidense encontrou a oposição de grupos, associações, centros sociais. Em Vicenza foram evocadas péssimas perspectivas para o seu desenvolvimento, se os trabalhadores fossem bloqueados.

 

Até agora, a presença dos movimentos sociais criou as condições afim de que a chantagem fosse recusada da parte da população. Consideremos a precariedade das relações de trabalho. Há movimentos que se batem contra ela e pela extensão, também aos precários, dos direitos do trabalho. Até agora conseguiram organizar uma parte do trabalho precário. O passo seguinte é de envolver sempre mais homens e mulheres para poder enfraquecer a chantagem a que estão submetidos muitos trabalhadores e trabalhadoras. Creio, pois, que os movimentos devam dar-se uma organização estável, menos efêmera, para reforçar sua ação.

 

Nas minhas viagens de trabalho encontro homens e mulheres que sentem muitíssimo esta urgência política de dar continuidade e força à sua ação política. Talvez possam pecar por otimismo, mas me parece que muitos movimentos estão se movendo nesta direção.
No que diz respeito à tua pergunta, também eu creio ser preciso desenvolver outro tipo de organização social. Não considero, todavia, que esta nova organização social deva ser introduzida de cima para baixo. Deve, de fato, ser desenvolvida a partir da base.

 

No seu livro você escreve que o neoliberalismo se caracteriza não tanto pela ocupação do Estado mas pela privatização de algumas funções que lhe competem, da defesa nacional à saúde e à formação escolar. Houve, depois, o escândalo da sociedade de "contractors" ["empreiteiros"] Blackwater no Iraque e muitos analistas denunciaram como louca a privatização da defesa nacional. Estamos assistindo ao declínio do neoliberalismo? Ou são apenas sacudidas de ajustamento?


O caso do furacão Kathrina é emblemático. Nos primeiros dias após a inundação de Nova Orleans, a mídia estadunidense apontou o índice contra as políticas de desinvestimento da administração Bush no que diz respeito à proteção ambiental.

Mal as águas começaram a se retirar e grande parte do establishment liberal viu no furacão a mão divina que permitia expulsar os habitantes pobres e os afro-americanos, para deixar espaço às empresas privadas. Não creio, pois, que o neoliberalismo tenha chegado ao fim da linha. É óbvio que o escândalo da Blackwaater levanta alguns problemas para os neoliberais.

Mas, na mídia dominante não é criticado o modelo neoliberal, e sim as ações de uma só empresa, neste caso a Blackwater. No final das contas, é invocada maior vigilância sobre as atividades de uma empresa privada que desenvolve uma função estatal, pública.


Estamos assistindo a uma mudança das políticas neoliberais. Haverá maior atenção ao conflito de interesses, que nos Estados Unidos e também na Itália chegou ao paroxismo. Ou ainda, a aplicação das políticas neoliberais será mais gradual. Afirmar, porém, que estamos na crise do neoliberalismo é uma temeridade política autoconsoladora.

 

 

Na Itália há muito interesse pelas primárias do partido democrático nos Estados Unidos e na competição entre Hilary Clinton e Barak Obama. Podem os movimentos sociais condicionar os resultados das primárias no partido democrático?

 


É estranho que o pergunte a mim que sou canadense. Não estou muito interessado no fato de que Hilary Clinton represente os old democratics e Obama os new democratics . E considero estranho que um italiano esteja interessado no conflito entre Hilary e Obama.

 

 

A política estadunidense desde sempre condicionou a italiana. E depois, você vive num observatório privilegiado que é o Canadá. No entanto, o que me interessa entender é que relação - de conflito, de cooptação - os movimentos sociais nos Estados Unidos querem entreter com o poder político e com a política institucional...


O processo eleitoral estadunidense é muito complicado e consome tempo, energias e dinheiro. Se um movimento social procura condicionar o resultado de primárias ou de uma competição eleitoral permanece quase sempre interpolado nos mecanismos políticos americanos. Fê-lo Ralph Nader e não foi muito bem. Fê-lo Move On, correndo o risco de se tornar apenas um componente do partido democrático.


Nos Estados Unidos houve um encontro que a mídia ignorou quase de todo.

 

Refiro-me ao primeiro Fórum Social estadunidense em Atlanta. Centenas de grupos, associações, milhares de ativistas se encontraram para conhecer-se e discutir sobre o que fazer.

 

Os poucos jornalistas que foram a Atlanta ficaram maravilhados, porque viam homens e mulheres que discutiam sobre pobreza, marginalização, direitos dos migrantes, falta de trabalho, direitos à saúde e à instrução pública, ou pacifismo, propondo iniciativas de luta e alternativas praticáveis contra o neoliberalismo, sem esperar que o partido democrático lhes dê atenção.

 

Em outras palavras, penso que os movimentos sociais devem desenvolver sua própria iniciativa, organizar-se, desenvolver uma espécie de contrapoder, sem esperar a existência de um candidato que prometa representar as suas propostas o que seu ponto de vista entre na agenda política de qualquer partido.

 

 

Os movimentos sociais, pelo menos aqui na Europa, não gozam de boa saúde. Houve importantes mobilizações contra a precariedade na França e na Itália. O movimento pacifista inglês continuou a levar à praça centenas de milhares de pessoas. No entanto, são inegáveis as dificuldades dos movimentos sociais. Não crê que estas dificuldades derivem também do fato de que o movimento dos movimentos, para usar uma expressão que é muito cara a você, não corre o risco de desenvolver uma leitura crítica do mundo atual e conseqüentemente desenvolver formas de luta e de organização adequadas?


Concordo. Também nos Estados Unidos os movimentos sociais antiliberais estão em dificuldade. A meu ver, na América do Norte, mas creio que isto possa valer também para a Europa, as dificuldades derivam das conseqüências do ataque às Torres Gêmeas. O 11 de setembro mudou o mundo.

 

O problema é entender como o mudou. Houve a guerra no Afeganistão e depois no Iraque. Guantânamo . As crises econômicas. Mas, ainda não conseguimos colher o pleno sentido daquilo que aconteceu após as Twin Towers. Será necessário tempo para entendê-lo. Espero contribuir, como muitos outros, para entendê-lo.

 

Agrada-me pensar que este livro seja uma pequena contribuição para entender como mudou o capitalismo. 

 

Naomi_Klein_1. cooperação

 

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5a/Naomi_Klein_1.jpg/800px-Naomi_Klein_1.jpg&imgrefurl=http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Naomi_Klein_1.jpg&h=534&w=800&sz=57&hl=pt-BR&start=16&tbnid=LShGvP2mLOe71M:&tbnh=95&tbnw=143&prev=/images%3Fq%3DNaomi%2BKlein%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG

 

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=10649

 

 

 

 

A Doutrina do Choque - Naomi Klein

  
 
 

http://www.youtube.com/watch?v=oFOSAvj8kyE

Livro

Querid@s,
arquivo do livro "A Bomba", de Franck Harris, disponibilizado na pasta "AA - novos uploads".
Boa semana a todos!


UEBA!!!!

Eis o link:

 http://www.4shared.com/account/file/46483213/8ca2ab19/ABomba.html

Em breve irá para a pasta LITERATURA.



Há 40 anos - o Maio de 68

Algumas frases que ocuparam os muros de Paris:

 

 

"Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo"

 

"Abaixo os jornalistas e todos os que os querem manipular"

 

"Sejam realistas, exijam o impossível!"

 

"A imaginação no poder"

 

"É proibido proibir"

 

"As paredes têm ouvidos, seus ouvidos têm paredes"

 

"Se queres ser feliz, prende o teu proprietário"

 

"O patrão precisa de ti, tu não precisas dele"

 

"Todo poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente"

 

"O sonho é realidade"

 

"Todo poder aos conselhos operários (um enraivecido)
Todo poder aos conselhos enraivecidos (um operário)"

 

 
"O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas.
O poder tinha as fábricas, os trabalhadores tomaram-nas.
O poder tinha os meios de comunicação, os jornalistas tomaram-na.
O poder tem o poder, tomem-no!"

 

"Viva o efêmero"

 

"Nós somos todos judeus alemães"

 

"A política passa-se nas ruas"

 

"Viva o poder dos conselhos operários estendido a todos os aspectos da vida"

 

"Trabalhador: tu tens 25 anos, mas o teu sindicato é do outro século"

 

 
 
"Todo reformismo se caracteriza pela utopia da sua estratégia,
e pelo oportunismo da sua tática"

 

 
 
"Quando a Assembléia Nacional se transforma em um teatro burguês,
todos os teatros da burguesia devem se transformar em Assembléias Nacionais"

 

"Juventude Marxista Pessimista"

 

"Acabareis todos por morrer de conforto"

 

"Revolução, eu te amo"

 

"A revolução deve ser feita nos homens, antes de ser feita nas coisas"

 

"Abaixo o Estado"  

 
"Um só fim de semana não-revolucionário
é infinitamente mais sangrento que um mês de revolução permanente"

 

"A revolução não é a dos comitês, mas, antes de tudo, a vossa.
Levemos a revolução a sério, não nos levemos a sério"

 

"Quanto mais amor faço, mais vontade tenho de fazer a revolução.
Quanto mais revolução faço, maior vontade tenho de fazer amor"

 

"Abaixo a Universidade"

 

"Professores, sois tão velhos quanto a vossa cultura,
o vosso modernismo nada mais é que a modernização da polícia,
a cultura está em migalhas"

 

 
"A sociedade nova deve ser fundada
sobre a ausência de qualquer egoísmo e qualquer egolatria.
O nosso caminho será uma longa marcha de fraternidade"

 

 
 
"Tu, camarada, tu, que eu desconhecia por detrás das turbulências,
tu, amordaçado, amedrontado, asfixiado, vem, fala conosco"
 
 
 
"O sagrado, eis o inimigo"

 

"Abaixo a sociedade espetacular mercantil"

 

"Os limites impostos ao prazer excitam o prazer de viver sem limites"

   


 

"Em caso de Revolução, quebre o vidro"

 

 

 

 em_caso_de_revoluca_quebre_o_vidro

 

  Coletivo Baderna - Solidarity - MAIO DE 68

http://www.4shared.com/account/file/22348939/6fc0b848/Solidarity_-_Maio_de_68.html

  [post por Scristina]

 

 

 

O trabalho - Toni Negri

 

 

O TRABALHO1

Toni Negri2

 

Há trabalho em excesso, porque todos trabalham e todos contribuem para a construção da riqueza social. Esta riqueza nasce da comunicação, da circulação e da capacidade de coordenar os esforços de cada um. Como diz Christian Marazzi (La place des chaussettes, Éditions de l'Éclat, Paris, 1997)3, a produção da riqueza é assegurada hoje por uma comunidade biopolítica (o trabalho daqueles que têm um emprego, mas também o trabalho dos estudantes, das mulheres, de todos os que contribuem para a produção da afetividade, a sensibilidade, dos modos de semiotização da subjetividade), produção da riqueza que os capitalistas comandam e organizam através da “deflação”, ou seja, a compressão de todos os custos que a cooperação produtiva e as condições sociais de sua reprodução exigem. A passagem da "inflação" (de desejos e necessidades) dos anos que se seguiram a 68 à deflação dos custos representa a transição capitalista do moderno ao pós-moderno, do fordismo ao pós-fordismo. É uma transição política no seio da qual o trabalho assalariado foi exaltado como matriz fundamental da produção das riquezas. Mas o trabalho ficou separado da sua potência política. Esta potência política vinha dos trabalhadores agrupados nas fábricas, organizados dentro de estruturas sindicais e políticas fortes. A destruição destas estruturas deixou atrás de si uma massa informe - em um olhar de fora - de proletários que se movimentam no território: um verdadeiro formigamento que produz riquezas por meio da colaboração e cooperação contínuas. De fato, se olhamos o mundo debaixo, o mundo das formigas, aí onde se desenrola nossa vida, percebemos a incrível capacidade produtiva que estes trabalhadores doravante adquiriram. Eis o inacreditável paradoxo face ao qual nos encontramos. O trabalho ainda é considerado como emprego, como trabalho "empregado" pelo capital, nas  estruturas que o submetem, diretamente, à organização capitalista da produção.

 

Texto na íntegra: 

http://www.4shared.com/account/file/45560788/9b48d384/o_trabalho_-_Toni_Negri.html

 

_______________________

         Notas da tradução

1. Fonte: << http://perso.wanadoo.fr/marxiens/politic/revenus/saga.htm >>

2. Traduzido por: Cecília Pires e Celso Candido, professores de Filosofia UNISINOS.

3. Ver: << http://www.lyber-eclat.net/lyber/marazzi/place_des_chaussettes.html >>

 

 

 

travail-carton

[Post por Marcel]

 

 

Apocalipse

 

Prezad@s:

"É no prolongamento da potência da máquina que se encontra, em nossa sociedade, a potência humana perdida. É nele que se livra daquele ser coisificado, castrado, diminuído, constrangido a todo instante. Em última análise, trata-se da busca do orgasmo perdido. (Não nos enganemos, os publicitários sabem o que fazem.) Mas, no fim, o motor a combustão, o acelerador e a pista não passam de intermediários entre a impotência ao prazer e o prazer impotente".


Trecho do livro "Apocalipse Motorizado: a tirania do automóvel em um planeta poluído".
Tentarei colocar o texto integral lá na parte de livros.


 Comentário:

Beleza, amig@!

Se já tiver feito o upload, deixe um comentário sobre o local (em qual pasta o arquivo está, ok?).

Se ainda não o fez, daria para fazê-lo na pasta  "AA NOVOS UPLOADS"?

(Para quem está chegando... clique no primeiro link da LISTA DE BLOGS, para acessar a

BIBLIOTECA DO COOPERAÇÃO SEM MANDO (4shared).

Abraços daqui.


 Comentário:  A arquivo do livro "Apocalipse Motorizado: a tirania do automóvel em um planeta poluído" está disponibilizado na pasta "AA novos uploads".
[]'s

 http://www.4shared.com/account/file/45924529/18042e1a/Apocalipse_Motorizado_a_tirania_do_automvel_em_um_planeta_poludo.html

 

 

 

Instintos & instituições

 

 

"O homem não tem instintos, ele faz instituições.

O homem é um animal em vias de despojar-se da espécie.

Do mesmo modo, o instinto traduziria as urgências do animal e a instituição,

as exigências do homem:

no homem, a urgência da fome devém reivindicação de ter pão.

Finalmente, no seu ponto mais agudo,

o problema do instinto e da instituição será apreendido,

não nas “sociedades” animais,

mas nas relações entre animal e homem,

quando as exigências do homem incidem sobre o animal,

integrando-o em instituições (totemismo e domesticação),

quando as urgências do animal encontram o homem,

seja para escapar ou atacá-lo, seja para conseguir alimento e proteção"

 

 

Gilles Deleuze, Ilha deserta, p.23

 

 

 

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[post por VKA] 

 

 

 

 

 

 

Economia e Meio Ambiente

 
 
 
 
 
Economia e Meio Ambiente
Entrevista com Hugo Penteado


 

 

"Estamos agindo como os habitantes da Ilha de Páscoa, a única diferença é que eles cortaram a última árvore e perderam o solo e a comida numa ilha. Nós estamos fazendo isso globalmente."

 

Em entrevista para este boletim (http://www.ibps.com.br/index.asp?idnoticia=2821), o autor do livro ‘Ecoeconomia – Uma nova abordagem’, Hugo Penteado, fala sobre o modelo econômico vigente e sua relação com o meio ambiente, comentando a teoria econômica e seus mitos. Mais que tudo, Hugo mostra que não adianta apenas substituir nossas tecnologias de produção, o que precisamos substituir fundamentalmente é nossa maneira de vida, eliminando hábitos e comportamentos oriundos de um sistema que nada mais fez senão nos proporcionar miséria, frustração, saturação e infelicidade, e que segue nos conduzindo cada vez mais rápido para a destruição. A questão é: quanto ainda vai nos custar continuarmos vestindo um modelo que não se ajusta aos nossos pés?

 

 

 

IBPS: Qual seu pensamento sobre a relação economia - produção - meio ambiente, ou - como você refere no livro, a relação “agentes econômicos, seus sistemas econômicos e a natureza”?

 

 

HUGO PENTEADO: Os economistas agem como se a natureza não fosse uma variável relevante. Todos os textos que abordam o tema desmistificam a preocupação com a questão ambiental, com a restrição ao crescimento de um planeta finito, e pior, chegam a ponto de abraçar trabalhos “estatísticos” (sobre os quais a dúvida deveria ser maior que a certeza) que declaram ser o aquecimento global um não evento para as economias. Essa certeza dos economistas é assustadora.  A teoria econômica, independentemente de sua corrente, possui três mitos:

 

 

1)     Mito Mecanicista: Os processos econômicos são explicados com as leis da mecânica e por essas leis o sistema econômico é considerado neutro para o meio ambiente.  Todos os processos econômicos mecanicistas são reversíveis, previsíveis e incapazes de gerar mudanças qualitativas no sistema. Ou seja, podemos passar um trator na Amazônia, basta dar marcha-ré que nada aconteceu.  Essa crença não só é inútil, bem como por uma série de perguntas sem resposta, os economistas que derivaram suas teorias da mecânica, não foram capazes de adaptá-las para o avanço da Física que mudou a forma com nós vemos a realidade.  Na verdade, os processos físicos econômicos geram mudanças qualitativas definitivas no sistema. Está na hora de reconhecer isso, pois são esses processos que estão por trás da destruição acelerada dos ecossistemas e da maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos.

 

 

2)      Mito Tecnológico: Embora a tecnologia dependa de outras ciências que não a Economia, os economistas utilizam os avanços tecnológicos para concluir que o meio ambiente é inesgotável.  Os ganhos de eficiência são risíveis quando comparamos com o tamanho da escala produtiva atual, pela qual em um ano produzimos mais que em 100 anos e não paramos de crescer esses fluxos, ignorando veementemente os estoques acumulativos de bens, serviços e pessoas sobre a Terra.  Se reduzirmos bastante o consumo dos recursos naturais por unidade de produto, ao multiplicar pelo total do produto vamos ver como o consumo absoluto dos recursos cresceu exponencialmente, causando devastação global. Estamos agindo como os habitantes da Ilha de Páscoa, a única diferença é que eles cortaram a última árvore e perderam o solo e a comida numa ilha. Nós estamos fazendo isso globalmente.

 

 

3)      Mito Neoliberal: Se os dois primeiros mitos tornam possível acreditar no crescimento eterno de estruturas materiais e populações, o terceiro mito justifica esse objetivo.  Crescer por crescer não tem apelo algum, mas dizer que só o crescimento produz benesses sociais acaba justificando todas as tragédias que estamos produzindo.  É um cego guiando outro cego, pois não existe a menor relação entre crescimento econômico e desenvolvimento, como não existe a menor relação entre crescimento econômico e bem estar ou geração de empregos.  Está na hora de parar de acreditar nas estatísticas e encarar as conseqüências inequívocas do crescimento: concentração de riqueza, destruição dos empregos e da natureza. A concentração de riqueza, que hoje no mundo todo está historicamente elevada, também impede que boas decisões políticas sejam tomadas. Os mitos fazem com que os economistas só analisem a economia em termos de fluxos e taxas percentuais, não olham o consumo absoluto, o estoque das estruturas, como casas e carros, nem o impacto ambiental dessa acumulação.  Também não olham o crescimento populacional contínuo, de mais 200.000 pessoas vivendo na Terra por dia, olham só a taxa de crescimento percentual da população. Está em queda comemoram. O mesmo vale para o crescimento do PIB. Os mitos fazem a gente olhar para o que menos interessa. E sem nos preocuparmos com os reais impactos para a sociedade e a questão ambiental seríssima que estamos vivendo.  Um dia, ninguém sabe quando, esse pesadelo terá um custo muito alto e para todos, sem exceção.

 

 

IBPS: De 1992 para cá, as questões ambientais vêm caminhando a passos muito lentos, muito pouca coisa pode ser vista na prática daquilo que foi decidido e acertado na tentativa de reverter o grave quadro da problemática ambiental. Sem considerar as dificuldades oriundas das deficiências do nosso sistema econômico e político, o quê, na sua visão, está sendo o maior entrave para a evolução das iniciativas ambientais?

 

 

HP: Existem vários entraves para as iniciativas ambientais. O primeiro deles está na teoria econômica incapaz de reconhecer o problema, pois parte do princípio irreal que o sistema econômico é neutro para o meio ambiente e o meio ambiente é inesgotável.  O segundo entrave está na falta da evidência de um colapso ambiental definitivo.  O argumento dos céticos é que podemos ser ricos como os Estados Unidos, afinal, trata-se de um país rico e limpo.  Em primeiro lugar os países ricos como os Estados Unidos e a Europa não são limpos. De acordo com a agência ambiental norte-americana metade dos rios, lagos e zonas estuárias daquele país estão contaminados (com mercúrio, entre outras coisas) e poluídos. Sem falar na questão da destruição de florestas: eles destruíram a quase totalidade das suas florestas. Criaram processos industriais que agrediram o meio ambiente e a sociedade de forma brutal. Mas vamos esquecer isso, vamos fazer de conta que é verdade que os Estados Unidos são um país limpo e ambientalmente equilibrado. Se isso é verdade, podemos fechar todos os portos dos Estados Unidos para os recursos da natureza que ele importa e nada acontecerá.  Na verdade, os Estados Unidos não vivem um colapso ambiental e a China idem, por causa do comércio global. Os habitantes dessa ‘Ilha de Páscoa maior’ estão sendo capazes de, após derrubar a última árvore, continuar derrubando a de outros países. O comércio global, que não dá a menor importância para custos ambientais e sociais, é um mecanismo que impede que países grandes sugadores de recursos da Terra entrem em colapso. Esses países, ao importarem produtos do Brasil, exportam para cá a sua própria insustentabilidade ambiental, e os economistas comemoram com os dólares dessas exportações, que geram pouquíssimos empregos e pouco resultado social, além de devastar nosso meio ambiente. Nada está sendo cobrado por transformar de forma crescente a floresta Amazônica em uma monocultura. Na verdade isso é aplaudido pelos economistas e pelos mercados financeiros. O mais assustador é que a partir de um determinado ponto a floresta irá se destruir sozinha, automaticamente, e sem a floresta a região sudeste do Brasil, onde estamos, ficará sem água. Ou seja, estamos indo imprudentemente até o limite desse sistema surrealista e isso é, como eu disse, comemorado.

 

Finalmente, os economistas estão convencidos em não se preocupar com o meio ambiente, como se não precisássemos dele para nada, por três motivos: restrição ao fluxo migratório de populações (os Estados Unidos jamais aceitariam receber 60 milhões de brasileiros miseráveis), comércio global (o que eu não tenho mais no meio ambiente, importo devastando outras regiões) e pobreza mundial (dois terços da humanidade vivem em miséria ou pobreza absoluta, qualquer elevação no seu padrão material colocará em xeque a crença infantil dos economistas sobre a inesgotabilidade do planeta).

 

 

IBPS: No seu entendimento, segundo consta no livro, de nada adiantará adotar tecnologias ecoeficientes, métodos de reaproveitamento das matérias-primas, entre outras alternativas, se não houver, junto a isso, uma mudança total de valores, hábitos, padrões e costumes. Nesse contexto, a produção mais limpa não representa uma ferramenta fundamental para a educação e principalmente para a implementação de uma cultura de racionalização?

 

 

HP: A ecoeficiência faz uso dos mesmos mitos da teoria econômica tradicional, não reconhecendo limites nem os erros do atual sistema.  É um ajuste nos sistemas de produção e consumo, com vistas a aumentar os lucros, ou seja, é visto como oportunidade de ganhos e não de revisão dos erros atuais.  Trocando em palavras, o limite para produzir carros ecoeficientes ou não sempre existirá, não vou poder produzir três trilhões de carros só porque eles são ecoeficientes, isso é um absurdo, imaginar que temos que fazer crescer a produção de todos os bens sem esbarrar em limites. Um carro produzido não irá para a copa de uma árvore, requer asfaltamento da terra, que deixa de ser um reservatório de biodiversidade, deixa de ser usada para agricultura. Num espaço finito como a Terra, o uso para uma determinada finalidade é concorrencial com os demais usos.  Esse erro é assustador, para dizer o mínimo. No entanto, apesar da ecoeficiência ser um arremate de uma teoria totalmente equivocada e apesar dela não ser suficiente para resolver o problema, pelo menos da forma como precisamos para conciliar a nossa sobrevivência econômica com a da nossa espécie animal, ela mesmo assim é fundamental e deve ser perseguida a todo custo. É uma questão de lógica: se ela não é suficiente, ela é então ainda mais importante, por ser educativa, por dar mais tempo para reconhecermos os absurdos do sistema atual.

 

 

IBPS: Gostaria que você comentasse o capítulo 6 do seu livro, intitulado ‘Ecoeconomia como visão alternativa’

 

 

HP: A Ecoeconomia parte de uma revisão total dos valores vigentes, não apenas econômicos, mas humanos. Nós temos que entender que fazermos parte de um corpo imortal chamado espécie humana e que esse corpo depende de uma série de elos com a natureza, sem os quais, irá perecer. Uma vez entendido que se trata de um corpo imortal, cujas ações repercutirão sobre as gerações futuras, precisamos remodelar nosso sistema de valores em busca do equilíbrio.   O atual consumismo exacerbado em cima de um sistema do tipo extrai-produz-descarta precisa ser abolido das nossas vidas.  Ele não é capaz de atender as demandas sociais gerando empregos e só está produzindo uma concentração de riqueza extrema, além da destruição perigosa da natureza.  Esse fluxo linear econômico tem que ser substituído por um fluxo circular ecoeconômico, onde iremos mimetizar os mesmos mecanismos regenerativos da natureza. Ao invés de privilegiarmos o uso de recursos naturais finitos, como fertilizantes agrícolas, petróleo, metais, iremos privilegiar o uso de recursos renováveis, embora dois desses recursos são e sempre serão finitos: solo e água.  Ao invés de privilegiarmos atividades extrativistas ou mineradoras, iremos adotar reciclagem, reutilização, redução do consumo material.  Ao invés de darmos valor apenas para o tangível, como bens, iremos preferir serviços ou os intangíveis.  Ao invés de usarmos as tecnologias para impactar mais o meio ambiente, iremos usá-las para desmaterializar o mundo, reduzindo consumo de papel por arquivos eletrônicos, reduzindo viagens por videoconferências, trocando escritórios por trabalhar em casa.  Ao invés de transporte particular, iremos optar por vias públicas arborizadas sem carros e por transportes coletivos.  Iremos cortar os excessos materiais na busca dos elos intangíveis. Por enquanto, os economistas só dão valor para uma árvore quando ela está derrubada no chão, quando ela vira uma tora.  Se só uma tora tem valor, o que estamos esperando para destruir de uma vez a Amazônia?  Está na hora do PIB capturar o valor dos estoques da natureza e descontar a exaustão dos recursos, está na hora de países importadores de recursos naturais começarem a considerar isso um passivo e não um ativo barato, ofertado infinitamente por países produtores como o Brasil e a custo sócioambiental zero.  Além de todos esses ajustes no fluxo de consumo e produção e na nossa relação pessoal com os bens, com a matéria, com as pessoas, precisamos encarar a necessidade de viver em cima de estoques e não em cima de fluxos.  O PIB é um fluxo submetido a um crescimento exponencial infinito, os economistas sequer olham os estoques e ano a ano adicionamos a esses estoques milhões e milhões de carros e casas, entre mil outras coisas, ocupando espaços que, uma vez degradados, deixam de reciclar o ar que respiramos, a água que bebemos, a biodiversidade e todos os serviços da natureza sem os quais não iremos sobreviver.  Mudar o fluxo de consumo e produção, desmaterializando; redimensionar a economia, dar valor aos intangíveis, como medicina preventiva, e reconhecer limites vivendo dos estoques será o único caminho possível para a humanidade.  E redistribuição de riqueza, fundamental, esse assunto tabu já foi extensamente discutido pela teoria neoliberal que é supostamente seguida por economistas sábios, que ignoram que foram os liberais clássicos que deram a formulação teórica do imposto sobre grandes fortunas. A história mostra que uma enorme concentração de riqueza, como a que estamos vivendo mundialmente hoje, é geralmente seguida de uma distribuição forçada.  Ninguém tem interesse num colapso desses, nem os mais ricos, posto que todos nós fazemos parte de uma sociedade e tudo que temos deve-se a ela.

 

 

IBPS: Partindo da idéia de que nossa economia é escrava dos países ricos, o que você acha que seria necessário, no ponto que estamos , para que o sistema econômico brasileiro pudesse criar sua identidade própria, deixando de seguir padrões de nações desenvolvidas?

 

 

HP: Não acredito que a nossa economia seja escrava dos países ricos, pelo menos no sentido econômico, pois eu os vejo mais tirando da gente do que dando recursos, mesmo se eu quisesse ignorar a questão ambiental.  A nossa economia e a de muitos países é escrava de uma ideologia que tem produzido resultados socioambientais assustadores, para dizer o mínimo, e que por ser uma ideologia, não é sequer questionada pelos intelectuais de plantão. Por exemplo, o México após entrar no NAFTA passou por uma estupenda dinamização da sua corrente de comércio, no entanto, o emprego absoluto desse país caiu após o acordo.  A questão ambiental nem se fale.  A ideologia dominante prega que a liberdade total aos indivíduos produz o máximo de bem estar social com o mínimo de esforço dos governos.  No entanto, de acordo com os clássicos, isso é verdadeiro se e somente se todas as pessoas forem iguais.  O mau uso dessa teoria é um outro erro, e por causa desse erro hoje nos Estados Unidos 1% da população detêm 73% das riquezas, de acordo com Kevin Philips, em seu livro ‘Wealth and Democracy’.  A concentração de riqueza destroça a democracia, impede que os políticos trabalhem para mudar a matriz energética, para manter o sistema de saúde operante, para construir cisternas ao invés de transpor rios, e por aí vai.  O Brasil precisa romper com o modelo econômico e salvar a sua natureza, cobrando pelo seu uso aqui dentro e fora e extraindo dela resultados socioambientais realmente sustentáveis.  Essa adoração pelas exportações é injustificável, pois além de destroçar elos ambientais que irão afetar dezenas de milhões de brasileiros, não estão gerando resultados em criação de empregos de forma significativa.  Pior ainda, qualquer virada na demanda externa e todos os parcos empregos do setor agro-exportador irão desaparecer, não estamos falando de empregabilidade permanente ou de solução de trabalho permanente em quase nenhuma esfera da economia, simplesmente porque a maior parte da força de trabalho que continuou empregada, apesar da tecnologia, está ligada a forças econômicas globais e não locais.  Não se trata de explorar e estimular a criatividade individual, nem os negócios locais ou a economia local, e sim submeter todos a uma tirania da ideologia global, que nada tem trazido de benefício para ninguém, exceto a miséria, a submissão e o medo.

 

 

IBPS: Muitas vezes é através do caos que se encontra a possibilidade de uma nova ordem. Você acredita que este pensamento poderá servir para a questão ambiental?

 

 

HP: O caos que estamos falando pode ser definitivo. Eu acredito que já estamos vivendo o caos social e ambiental e só não o estamos enxergando, por uma manipulação total das nossas mentes.   Se estivermos falando de um caos maior, talvez nada mais possa emergir daí, como na Ilha de Páscoa, com uma única diferença, agora a questão é global, sem necessariamente ter uma solução de continuidade.  O caos já foi instaurado, nas cidades, na agricultura, no clima, nas guerras, na miséria humana.  Está na hora de reconhecer a falência do sistema e tentar corrigir as suas mazelas.  A solução passa por uma mão menos invisível dos governos, por uma regra tributária amigável ao meio ambiente, por um estímulo aos pequenos empresários, comerciantes, pela educação e desenvolvimento das aptidões individuais, por uma reformulação do ensino e das nossas mentes cuja palavra de ordem é crescer e enriquecer, embora isso não faça o menor sentido do ponto de vista coletivo.  A questão ambiental faz parte de 100% das nossas vidas, embora cada um de nós a ignora também durante 100% das nossas vidas.  É uma crise de valores, que já foi coroada com vários eventos extraordinariamente ruins, como a guerra do Iraque, por exemplo.  Se essa crise vai ser coroada com uma mudança geral de atitude ou se vamos caminhar para o colapso, é algo que ainda não sabemos.

 

 

 

Hugo Ferraz Penteado é  Economista-Chefe e Estrategista do ABN AMRO Asset Management desde 1998 e autor da obra “Ecoeconomia – Uma nova abordagem”. É pós-graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Economia pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (IPE/USP). Atualmente, está se preparando para prestar doutorado em Economia, voltado para a análise das teorias de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis.

      Datado: 18/10/2005
      Fonte: IBPS

 

      Ecoeconomia

        [Post por Mirna]

 

Guillermo Vargas Habacuc, artista???

 
 
Me desculpem postar informação tão degradante, mas estou disposta a divulgar minha posição radicalmente contrária a essa idéia anti-vida. Não pode ser chamada arte uma merda dessas. 
 
Vamos aos fatos. 

A Bienal Costariquenha de Artes Visuais (Bienarte) 2007 premiou seis artistas com passe para representar o país na Bienal Centroamericana Honduras 2008. Os jurados - Ana Sokoloff (Colombia - http://www.zoominfo.com/Search/PersonDetail.aspx?PersonID=12657650#), Oliver Debroise (México) e Rodolfo Kronfle Chambers (Equador) - fizeram sua escolha "con base en obras de gran calidad y excelente coherencia entre idea y ejecución" http://www.nacion.com/ln_ee/2007/septiembre/14/aldea1239344.html.

 
Guillermo Vargas Habacuc foi um dos seis "artistas" premiados. O que fez? Colheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtíssima num varal fixado num dos cantos de uma sala onde aconteceu a Bienarte-2007 e ali o deixou morrer lentamente de fome e sede. Durante vários dias, o autor e os visitantes da galeria de arte presenciaram, impassíveis, à agonia do animal. Até que, finalmente, o cão morreu de inanição, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensível calvário. Há quem diga que o cão não morreu. ISSO NÃO VEM AO CASO. OU VEM?A justificativa do autor desse crime, não qualificado como assim sendo, é risível: disse que foi para "marcar" o ataque de dois cães a não sei quem! Estou absolutamente engasgada.
Não vou postar imagens aqui, porque são horríveis demais e, facilmente localizáveis, via Google.
 
Abaixo, o link da Petição contra a presença desse oportunista na Bienal Centroamericana Honduras 2008 (já aceito, por sinal), caso isso o tenha incomodado.
 
 
 
 

 
 
 
Se, além de assinar a Petição,  você optar por uma participação mais ativa, aqui vai a carta / fax / email a ser enviada para:
 
Centro Nacional de la Cultura
Antigua Fábrica Nacional de Licores.
Avenida 3, calle 15/17. San José, Costa Rica.
Tel: (506) 257 7202 / 257 9370
Fax: (506) 257 8702

info@madc.ac.cr

 


 

Dear sirs:


I am writing regarding the horrifying actions of Guillermo Habacuc Vargas, who paid local children to catch a dog on the street and then confined, starved and publicly displayed the dog as an "art" exhibit until the innocent animal died of starvation.


I, along with many people worldwide, am outraged that Guillermo Habacuc Vargas has been selected to represent Costa Rica in "Bienal Centroamericana Honduras 2008." This man is by no definition of the word an artist. He is a criminally insane sadist and enjoys inflicting prolonged suffering upon his innocent victims. He is a danger to all of society, as it is well-documented that those with the capacity to intentionally cause harm to an animal have the same capacity to harm humans. To state that this animal would have died eventually of natural causes is unjustifiable and defies logical, rational thought.


To allow Guillermo Habacuc Vargas to represent Costa Rica in Bienal Centroamericana Honduras 2008 will in no way benefit Costa Rica. The world is watching, and the actions of this so-called artist have brought many negative assumptions as to the humanity of the people of Costa Rica. The fact that many witnesses of this animal's suffering did nothing, and that the organizers of this event allowed this to happen, rather than taking action to see that Guillermo Vargas be criminally charged with animal abuse, is sending the world a message that Costa Rica is a cruel, uncivilized society that has no regard for life, but enjoys viewing and contributing to the loss of life.


Each and every person who knew of and witnessed the suffering of this innocent dog is guilty of causing its unnecessary death. To let this crime go unpunished, and instead to reward Guillermo Vargas by choosing him to represent Costa Rica in Bienal Centroamericana Honduras 2008 is unacceptable and shameful, not only to Costa Rica but to all participants in this event.

 
I urge you, do not condone the heinous actions of Guillermo Vargas by allowing him to participation in Bienal Centroamericana Honduras 2008. He should be jailed and prosecuted to the fullest extent of the law for this animal's death, and should not be allowed to represent Costa Rica as an artist, for to refer to him as such is an insult to all true artists.

 

Sincerely,

"inserir seu nome"

Esta carta pode TAMBÉM ser enviada à galeria que está expondo/expôs o
trabalho dele: info@jacobkarpio-galeria.com

 

 

 

                 Guillermo Vargas, o inclassificável  

    Guillermo Habacuc Vargas, aquele que pode ser tudo, menos artista. 

  

                 [post pour-elise]

 

 

Diferença e Repetição - ontologia e estética

 

A FUNDAÇÃO DO SUBJETIVO: O HÁBITO PARA ALÉM DA PSICOLOGIA

Auterives Maciel Junior & Danilo Augusto Santos Melo

 

“A partir de nossas contemplações definem-se todos os nossos ritmos, nossas reservas, nossos tempos de reações, os mil entrelaçamentos, os presentes e as fadigas que nos compõem”

DELEUZE, Diferença e repetição, p.138

Para Deleuze, quando contemplamos, agenciamos o nosso ser com um Fora, produzimos alguma coisa ao agenciarmos e devimos, isto é, nos diferenciamos de nós mesmos. Se esta é a condição da experiência artística, devemos acrescentar que aqui a obra de arte se tornou uma verdadeira experimentação.

Cabe dizer, com isso, que nessa contemplação originária, a subjetividade é, prioritariamente, um composto de sensações. É a sensação primária que somos que define o nosso processo, definindo também as mudanças subjetivas que irão impor à vida uma nova direção. Para além da Psicologia, deve aqui significar "um para além" dos condicionamentos, das atividades estratificadas pelos reforços condicionantes, que nos atam a funções estabelecidas pelos padrões de medida definidos pela técnica. Se na nova inflexão contrair um hábito novo pressupõe colocar-se em uma instância contemplativa, isto é, estética, onde um devir poderá ganhar consistência, será que esta possibilidade se efetuará sem que o indivíduo se coloque em uma experimentação?

Se a condição da aquisição de um novo hábito é a contemplação, é sempre por meio dela que um devir pode consistir. A contemplação é, assim, na perspectiva do hábito que aqui estudamos, a condição da criação de nós mesmos.

Isto é talvez, a contribuição deleuziana para pensarmos, além da Psicologia, uma dimensão estética do existir que implique, evidentemente, em uma reflexão acerca de uma nova perspectiva clínica.

Revista do Departamento de Psicologia - UFF, v. 18 - n. 2, p. 69-82, Jul./Dez. 2006

 

         manifesto7_blm  

 

[post por Milurian]

 

Coisas de xamã

 
 
 
 
"Eu não sabia o que estava acontecendo.
Comecei a tremer violentamente
e me sentia incapaz de me sentar quieto
por um instante sequer...
 Eu fugi para uma floresta, nu, por três dias.
Meu avô e outros espíritos....
me alimentavam com minhocas
e eu tinha que comê-las ou morrer...
Vi muitos espíritos do mal,
alguns com longas presas retorcidas,
outros sem cabeça
e com olhos no meio do peito,
outros ainda carregando corpos em decomposição.
Eles me atacavam e,
antes que eu me desse conta,
estavam em cima de mim, devorando meu corpo"
(relato das visões de um xamã do Nepal, ao ser iniciado)
 
 
 
 
"Eu sou aquele que junta as partes"
               (índio xamã mazateca)

 

                                      mariposa sentada    

                              
                                   
http://www.photografos.com.br/fotografo.asp?id=1232 
                                                                       [post por Marcel]
 
 

   LINDHOLM, Charles (1993) Carisma - êxtase e perda de identidade na veneração ao líder  

 

 
 
 
 

JORNALISMO - COMUNICAÇÃO - FORMAÇÃO - IMPRENSA ALTERNATIVA

 

 

 

Em 08-03-2008, a agência Carta Maior promoveu uma reunião para discutir a mídia nos nossos dias. Mais de quarenta jornalistas, professores de comunicação e ativistas da área de comunicação participaram do encontro que debateu a luta contra a hegemonia conservadora no âmbito da disseminação de informação no Brasil. Uma dessas pessoas é a professora Ivana Bentes Oliveira, que trouxe importantes contribuições para a discussão. Tão interessantes que a IHU On-Line não poderia deixar de conversar com ela sobre essa e outras questões relacionadas ao andamento da comunicação hoje no Brasil.

Nesta entrevista, realizada por telefone, Ivana fala sobre as grandes corporações de mídia, do papel da imprensa alternativa, analisa os cursos de comunicação e a obrigatoriedade do diploma. "Possuímos uma quantidade enorme de produtores de mídia que não estão nas universidades e nem nas grandes empresas e precisamos incorporar essa produção, ajudar, qualificar e formar qualquer pessoa que vá trabalhar com mídia. Precisamos disputar esse novo produtor de mídia. É restritivo demais pensar só no jornalismo como centro da discussão midiática", afirmou.

 

 

FRAGMENTOS DA ENTREVISTA:

 

IHU On-Line Alguns pesquisadores pensam a comunicação a partir dos processos midiáticos permitidos, principalmente a partir da década de 1990. Assim sendo, falam da importância de se pensar a comunicação, antes de tudo, para além do jornalismo. Qual é a sua análise dos cursos de comunicação brasileiros em relação não apenas ao fazer jornalístico, mas ao pensar jornalisticamente?

Ivana Bentes OliveiraEu acredito que ainda seja um pensamento muito tímido,  porque dificilmente vimos algum curso de jornalismo ou de comunicação intervindo politicamente nos fatos enquanto eles acontecem. Há uma dificuldade de intervenção, de uma análise "a quente". Há uma tendência, nos cursos de jornalismo e comunicação, àquilo que chamamos de Profeta do Dia Seguinte, ou seja, de esperar que os fatos aconteçam, passem e só depois sejam comentados. Não há, nesse caso, muita importância de quem traz, por exemplo, um questionamento político depois que o momento quente passou. Há analistas da mídia, por exemplo, esses que vão para os congressos como Intercom e Compôs, que fazem as análises já frias. Ou seja, eles não possuem nenhum poder de intervenção imediata no campo político.

Não que os pesquisadores precisem ser ativistas, mas é preciso haver uma relação mais orgânica de quem produz mídia com a realidade dos fatos. Deveria existir um trânsito maior com essa mídia independente, aliás com todos os tipos de produções midiáticas. E, sem dúvida, fazer a passagem da velha questão do jornalismo para a questão da comunicação, que é muito mais ampla. Hoje, de forma concreta, a experiência audiovisual desloca totalmente a função e o foco do jornalismo impresso, que continua sendo importantíssimo, mas precisa ser pensado nesse campo ampliado.

Temos grupos de mídias audiovisuais, de rádio comunitária, TV comunitária, blogs, sites, que são feitos inclusive por não jornalistas. Então, hoje eu defendo o seguinte: o campo jornalístico é importante demais para ficar só com os jornalistas, parafraseando um dito de que a guerra é importante demais para ser resolvida pelos senhores da guerra. Também penso que a comunicação seja importante demais para ficar só num nicho, num gueto de jornalismo. A comunicação sempre interveio na vida de todo mundo, mas hoje temos um consumidor de informação que virou, ao mesmo tempo, um produtor de mídia.

A questão da produção hoje, portanto, precisa ser pensada de forma ampliada. Os cursos de comunicação precisam mudar essa mentalidade. Precisamos sair da especificidade, pois, atualmente, a comunicação é um direito. Nós temos vários ativistas que trabalham com a questão do direito à informação. Desse modo, é preciso começar a pensar a informar esse produtor de mídia independente das formações. Parece-me que os cursos já estão pensando em seguir esse caminho, ou seja, apontar um trânsito maior entre as habilitações.

É preciso também repensar a formação. Por isso, alguns cursos já estão refazendo os seus currículos. No entanto, considero importante que essas reformulações de currículo sejam feitas por meio de um diálogo com quem está fora da universidade, sejam jornalistas, sejam movimentos sociais, seja o pessoal do midiativismo, porque me parece que a diversidade e o pensamento novo precisam ser elaborados em conjunto. Trata-se de uma discussão importante, mas que não pode ser feita só por professores. Assim, precisamos nos aproximar cada vez mais de quem está fora da universidade.

Possuímos uma quantidade enorme de produtores de mídia que não estão nas universidades e nem nas grandes empresas. É necessário incorporar essa produção, ajudar, qualificar e formar qualquer pessoa que vá trabalhar com mídia. Precisamos disputar esse novo produtor de mídia. É restritivo demais pensar só no jornalismo como centro da discussão midiática. Claro que ele tem suas especificidades, sobretudo o impresso. Entretanto, diante desse quadro, não é possível pensarmos em coisas mais instigantes sem ampliar seu campo.

  

 
 
 
 Vítor Gomes     
Vítor Gomes - Ponte Vasco da Gama vista de Lisboa  
 
 
[post por VKA]
 
 
 
 
 
 

Na defesa dos animais, a luta humana contra todas as tiranias

 
 
Resenha de Regina Schöpke
para Jaulas Vazias, de Tom Regan
 
 
 
 

Quando Voltaire chamou de estúpida a idéia de que os animais são seres destituídos de sentimentos e de emoções, era a Descartes (e a sua ignóbil noção de “máquinas sem alma”) que ele pretendia atingir. Afinal, mostrar os animais como engrenagens ocas, vazias, que nada sentem (nem dor, nem amor, nem alegria, nem coisa alguma) serviu de justificativa para toda a forma de exploração e de abusos cometidos contra eles. É claro que pode soar estranho que algumas pessoas dêem tanta atenção ao bem-estar dos animais, quando os próprios homens não se entendem, se matam e se escravizam. Aliás, costuma-se argumentar que se até hoje os seres humanos não conseguem respeitar nem a sua própria espécie, por que respeitariam as outras? Argumento irrefutável, sem dúvida. Mas, também é, com toda certeza, um argumento de má-fé, já que sua função é paralisar uma discussão que vai muito além da relação dos homens com os animais. Tal discussão termina (ou começa) no interior do próprio homem e de sua tirânica relação com a vida.

 

Sim... Quem pode negar que a história humana tem sido marcada mais pela tirania do que pelo bom senso de nossa aclamada razão? Ódio, intolerância, preconceito, racismo,ambição, guerras sem fim... O homem parece mesmo o tal “rei das bestas”, como disse ironicamente o grande gênio da Renascença, Leonardo da Vinci, aludindo ao fato de que ele é, sem dúvida, a maior de todas elas.

 

Parece que a vida não tem mesmo muito valor para o homem. Eis porque Nietzsche sempre falou que era preciso recuperar “o sentido da terra”, como um despertar da existência. O prazer de fazer valer cada instante que passamos aqui... os pés enterrados no solo, a brisa suave acariciando nosso rosto... Viver é o supremo bem de todo ser! E ser é estar no mundo! Nesse ponto, sob o aspecto da vida, todo ser é ser, homem ou animal, sem distinção. Ser não é pensar, nem é ter raciocínios mais elaborados. Não é mais ser quem pode fazer a pergunta sobre o próprio ser (que suprema tolice!). Ser é viver, é estar presente, é fazer encontros, é estar no tempo do mundo. Daí porque nenhuma tirania é justificada, absolutamente nenhuma. É uma questão simples de poder, de indiferença e de desrespeito. Quem não se opõe a ela, portanto, está negando a si mesmo o direito de ser livre e de viver.

 

Está na hora, portanto, de olharmos de frente para o que fazemos. Sairmos de nosso solipsismo  pueril. Das duas uma: ou não existem direitos naturais à vida e à liberdade, como o homem tanto acredita e defende para si, ou tais direitos existem para todos que partilham conosco dessa exuberante existência. Eis o ponto onde deve começar a verdadeira discussão sobre os direitos dos animais! Eis o grande desafio que precisamos encarar: o da tirania (seja com a nossa espécie, seja com as outras)! Não podemos mais ficar na posição de ressentidos, nos fazendo de vítimas das circunstâncias. Está na hora de entendermos até que ponto também somos coniventes e cúmplices dessa tirania, seja por ignorância, seja por total desprezo à vida alheia. É sobre essa difícil e,em geral, menosprezada questão dos direitos dos animais que trata o livro Jaulas Vazias, do filósofo norte-americano Tom Regan (Editora Lugano, 294 págs., R$ 38). Regan, que é conhecido mundialmente pela sua luta pelo que ele chama de uma “consciência animal”, ou seja, desse despertar do homem para a sua própria condição de membro ou parte da natureza, tornou-se uma espécie de porta-voz daqueles que não podem falar e que, em função disso, tornaram-se escravos das nossas necessidades e comodidades. Um clamor pela vida, mas também um apelo para o enfrentamento de nós mesmos e de nossa postura no mundo.

 

Eis o que é esse livro: uma exposição clara da situação degradante em que vivem os animais. Sim... é, de fato, degradante. O homem fez da Terra uma enorme gaiola, onde todos os animais vivem escravizados, privados de sua liberdade de ir e vir, de constituir família, de compartilhar a vida com outros seres de sua espécie, enfim, de serem senhores de suas próprias vidas. Eis, aliás, um conceito que Regan desenvolve na obra: o de “sujeitos-de-uma-vida”, como ele chama todos os seres vivos (independente de pensarem com conceitos gerais e abstratos ou de viverem a partir de suas sensações mais imediatas). Aliás, é para tal fato que Regan deseja chamar a atenção: se temos o direito à liberdade, eles também têm. Negar isso é,como já dissemos, aceitar como natural a nossa própria escravidão. É certo que muitos poderão dizer que isso é uma utopia ou uma ficção. Mas,que idéia não é uma ficção, uma criação humana?

 

A questão, no entanto, é saber quais ficções servem à vida e quais estão a serviço do niilismo e da destruição. E, principalmente, saber de que lado o homem deseja ficar. Regan deseja ficar do lado da liberdade e do respeito a toda forma de vida. Afinal, já está mais do que na hora de pararmos de usar o discurso da superioridade para justificar nossos atos cruéis e nosso desprezo pela existência. Como mostra o autor, não nos contentamos apenas em dispor indiscriminadamente de todas as vidas para nos alimentar; nós enjaulamos todos os animais. Nem mesmo os animais que dizemos estimar, os cães e os gatos, escapam de um tratamento indigno. Também eles são mercadorias que colocamos à venda e que, muitas vezes, tratamos como bibelôs e brinquedinhos para nossa diversão e proteção. Daí porque basta que envelheçam para serem substituídos como uma roupa velha. Não satisfeitos, ainda usamos os animais como cobaias em laboratórios, não ligando a mínima para o sofrimento que lhes infligimos (afinal, é para o “nosso” progresso).

 

Nos divertimos nas touradas, nos circos, zoológicos e caçadas. E chegamos a tal ponto de insensibilidade que usamos a pele dos animais apenas por um luxo, uma manifestação vulgar de status e riqueza (pele, essa, que é retirada enquanto eles ainda estão vivos e se debatendo de dor). Humano, demasiado humano... Nosso desrespeito pela vida e pelo sofrimento dos animais é tão ilimitado e irracional quanto a crença de que temos o privilégio sagrado de usar e de abusar da natureza. É claro que, como Nietzsche, reconhecemos que a vida é luta. Mas, não aceitamos a idéia de que abusar de tudo e de todos seja lutar. Trata-se de um jogo sujo, de uma trapaça, que não depõe em nada a favor de nossa inteligência e superioridade. Aprisionar os pássaros e furar seus olhos para que eles cantem melhor não é, certamente, uma questão de sobrevivência. Assim como amontoar cães e gatos em gaiolas, como fazem certos restaurantes da China, para que eles sejam escolhidos pelos fregueses e mortos na hora, só se explica por uma brutalização ainda maior do homem, já que nem os animais que se tornaram nossos mais fiéis companheiros são poupados. Tudo isso é apresentado no livro de Regan, que não poupa detalhes (embora sem qualquer sensacionalismo) de como vivem os animais nas granjas, de como são os matadouros, de como milhões deles são mortos ou mutilados diariamente pelas indústrias alimentícias, de cosméticos, etc.

 

O intuito do autor é, de fato, tocar a “alma” dos relutantes, daqueles que ainda não tomaram consciência clara dessa situação. É assim que, numa linguagem simples e direta, Regan vai fazendo reflexões teóricas profundas sobre nós mesmos, nossos hábitos e nossas práticas. Da Vinci é, com razão, muitas vezes citado no livro. Afinal, ele, que desde criança tornou-se vegetariano por não suportaras atrocidades que se cometiam, dizia que o homem transformou seu estômago num túmulo para todos os animais. Da Vinci nem colocava a questão se somos ou não carnívoros (tudo em nossa compleição indica que não somos); ele apenas chamava a atenção para a brutalidade de nossas ações, pois nem mesmo isso justificaria a escravidão dos animais. Dizem que da Vinci também teria dito que um dia se consideraria um crime, um assassinato, matar um animal. Esse dia ainda parece distante, mas hoje já existem menos dúvidas sobre os seus sentimentos e emoções. Aliás, Darwin estudou tais emoções e, mais do que isso, ele foi o primeiro cientista a desferir um golpe profundo em nossa arrogância ao mostrar que nossa espécie evoluiu de outras inferiores e que somos apenas animais, ainda que muito inteligentes. Nesse caso, falar de “consciência animal” não é falar apenas de cães, gatos, porcos, bois ou patos, mas de todos nós, humanos ou não. Regan está certo. Jaulas vazias, sim! Só isso poderia libertar o homem de sua própria jaula e escravidão. Eis um sonoro grito da vida... Eis o sonoro grito da natureza!

 

 

Filosofia Idéias:

D6 CULTURA DOMINGO, 23 DE ABRILDE2006

O ESTADO DE S.PAULO

 

 

bowie 2 [post por Gil]

 

 

TEATRO SEM TEATRO - BLOG SERENADE. CONFIRAM!!!

 

 

 

 

 

 

"Um Teatro sem Teatro, apresentada no Museu d'Arte Contemporani de Barcelona, foi considerada a melhor exposição da Espanha, no ano de 2007 e estará em Lisboa, no Museu Colecção Berardo, até 17 de fevereiro.
A exposição “Um teatro sem teatro” propõe uma reflexão sobre a influência do teatro no terreno das artes plásticas, suas relações e intercâmbios, nos convidando a ver e a pensar.

Na entrada da exposição, vemos vários documentos relacionados com a influência do movimento dadaísta no teatro, a partir das primeiras décadas do século XX - dramaturgias escritas por artistas como Pablo Picasso, fotografias, programas de teatro e panfletos (...).

 

 

 ENTRADAS MAIS RECENTES DO SERENADE:

 

 

TURISMO INFINITO - FERNANDO PESSOA

http://lxsp.blogspot.com/2008/01/turismo-infinito-fernando-pessoa_20.html

 

No Turismo Infinito em companhia dos hetrónimos, das cartas de amor de Ofélia Queirós, do universo inteiro, viajamos em uma aventura, onde transmutamos nossas emoções, expandimos nosso mundo e ampliamos nosso espaço de reflexão, junto à obra do Fernando Pessoa como todo.

"O coração, se pudesse pensar, pararia"

Agora em Lisboa, no Teatro Nacional D. Maria II, Turismo Infinito, peça com dramaturgia de António M. Feijó - obra de Pessoa, dos seus heterónimos e das cartas de amor de Ofélia Queirós.
Ricardo Pais, diretor da peça, propõe uma viagem ao universo da vida e obra de Pessoa, com um espetáculo brilhante em suas diversas sínteses, simples, austero, estilizado, e contido (...).

 

  

[post por VKA]
 
 
 

...

 
 
  
 
 

A assinatura, a singularidade dos nomes é uma ilusão moderna que encobre o fato de que cada autor é muitos autores e que aquilo que constitui a literatura é muito mais a cadeia de repetições e a sucessão de formas impessoais do que o eco repercutindo nomes próprios. Escrever é perder o poder de dizer «eu». Virar autor, auctor, é propriamente dispor-se a servir as palavras, acrescer (augere) seu império.

 

  Schneider, Michel. Ladrões de palavras: ensaio sobre o plágio, a psicanálise e o pensamento. Campinas: Editora da Unicamp, 1990, p.73)

 

 

Camille 10

  Camille - le fil

 

 

 

Quem eu sou? De onde venho?

 

 
 
 
ANTONIN ARTAUD
  
 
artaud                                      
 
 
 

 

Quem sou eu? De onde venho? Sou Antonin Artaud e basta que eu o diga como só eu o sei dizer e imediatamente hão de ver meu corpo atual voar em pedaços e se juntar sob dez mil aspectos diversos. Um novo corpo no qual nunca mais poderão esquecer. Eu, Antonin Artaud, sou meu filho, meu pai, minha mãe e eu mesmo. Eu represento Antonin Artaud! Estou sempre morto. Mas um vivo morto, um morto vivo. Sou um morto sempre vivo. A tragédia em cena já não me basta. Quero transportá-la para minha vida. Eu represento totalmente a minha vida. Onde as pessoas procuram criar obras de arte, eu pretendo mostrar o meu espírito. Não concebo uma obra de arte dissociada da vida. Eu, o senhor Antonin Artaud, nascido em Marseille, no dia 4 de setembro de 1896, eu sou Satã e eu sou Deus, e pouco importa a Virgem Maria.

 

 

[post por Gil]

 http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/08/391738.shtml

   

 

 

DRUMMOND

 

 

 
 
CARLOS DRUMMOND
  
 
Áporo

 

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata: em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.

 

fundo verde planta      

Os ombros suportam o mundo  - 

http://www.4shared.com/file/27302205/890b2142/05_Carlos_Drummond_de_Andrade_-_Os_Ombros_Suportam_o_Mundo.html?dirPwdVerified=40d7d25f

 

    

 

 
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