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Nova arma de microondas sonoras

 
 
 
Active Denial System


 
Por Rodrigo Martin de Macedo

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A empresa americana Sierra Nevada Corportation anunciou estar pronta para manufaturar sua arma de microondas sonoras capaz de controlar multidões através de choques.
De acordo com o NewScientist a arma será chamada de MEDUSA (Mob Excess Deterrent Using Silent Audio), mas em vez de transformar seus alvos em pedra através do olhar provocará sensações de choque no esqueleto através de pulsos sonoros.

Apesar de em seu nome afirmar usar um "áudio silencioso", o efeito da arma não pode ser bloqueado e é forte o suficiente para provocar desconforto. Com a ajuda de uma antena, o raio de ação pode ser restringido ou ampliado, ou ainda direcionado a múltiplos alvos simultaneamente.

Para o cientista James Lin, que pesquisou o uso de áudio microondas e chegou até mesmo a ser contatado pela indústria da música para usar seus estudos para melhorar aparelhos de som, deve existir a preocupação a respeito dos efeitos da tecnologia. "Eu me preocuparia com que outros efeitos à saúde estão ocorrendo. Você pode ter problemas neurológicos" , alertou.

Algumas organizações de direitos humanos argumentam que a arma poderá ser usada indevidamente por governos autoritários para impedir manifestações públicas legítimas.
A arma, destinada primariamente ao uso militar ou para controle de multidões, pode até chegar a ser destinada a outros usos como, por exemplo, afastar passaredos, já que pássaros também são sensíveis ao efeito. Vale lembrar, contudo, que esta não é a primeira arma baseada em microondas. Pesquisadores já trabalham há tempos em armas que provoquem sensações de desconforto em seus alvos através da tecnologia. Em outubro de 2001, por exemplo, surgiram relatos de testes com uma controversa arma geradora de calor por microondas de rádio para dispersar multidões, um projeto do Laboratório de Pesquisa de Força Aérea dos EUA que pretendia utilizar a tecnologia para dispersar motins a longa distância e também a partir de aviões em vôos baixos.

A Active Denial System (ADS) foi testada em 2007 em um voluntário que descreveu seu doloroso ataque como algo semelhante a uma rajada de vento tão quente e dolorosa que era impossível não tentar correr para se proteger, conforme pode ser lido na Wikipédia. Outro exemplo de arma não letal é a Incapacitator, uma arma-lanterna que causa cegueira temporária, tontura e náusea, em desenvolvimento desde 2007 pela Intelligent Optical Systems a pedido do Ministério de Segurança Interior dos Estados Unidos para equipar policiais. Uma versão de demonstração da MEDUSA deve ser preparada em cerca de um ano, e agora a Sierra Nevada procura investimento do Departamento de Defesa dos EUA.

http://br.noticias. yahoo.com/ s/080704/ 7/gjpciu. html

 

 

PROJETO NO SENADO INVIABILIZARÁ REDES ABERTAS

 
 
Enquanto vários prefeitos estão abrindo o sinal de Internet wireless para sua população, a Comissão de Constituição e justiça do Senado aprova o PLC 89/2003 que responsabiliza o provedor de acesso por alguma ação ilegal que parta da sua rede. Também torna a "delação" uma obrigação do provedor. O resultado será um estado de vigilantismo. A consequência será incentivar redes cada vez mais fechadas, sem possibilidades de uso de P2P (bem ao gosto das operadoras e da MPAA e da RIAA), de implementar projetos como seti@home, de usar tecnologias novas.

Por quê? Porque o provedor terá a obrigação de notificar as autoridades competentes (leia: polícia) que um pacote de dados é suspeito. O problema é como o provedor irá identificar, por exemplo, se uma pessoa que está usando uma aplicação BitTorrent estará ou não realizando um ato ilegal (baixando um filme protegido por copyright). É provável que se escolha entre dois caminhos: invadir a privacidade e olhar os pacotes baixados ou simplesmente proibir o uso do Torrent para evitar um processo posterior. Um terceiro caminho (mais absurdo ainda!) é inundar a polícia com listas semanais de usuários do provedor que acessaram redes P2P.

Trata-se da implantação de uma sociedade da vigilância e do medo. É um projeto que nasce da mentalidade autoritária que irá igualar o Brasil ao despotismo chinês.

Vou sugerir aos meus amigos que são bons designers que façam um selo para a gente colocar em todos os blogs. Algo como: diga não ao PLC 89/03! Contra o vigilantismo na rede! Em defesa da privacidade e da liberdade!
 
 
 
[de Sérgio Amadeu - post por Volk Anna] 
 
 stasi
 
 
 
 

BANNERS CONTRA O PROJETO DO SENADOR AZEREDO

 
 
O projeto que busca implantar o estado de vigilância na rede, que quer obrigar a todo provedor a bloquear o P2P, que incita o denuncismo dos provedores de acesso é o SUBSTITUTIVO AO PLS 76/2000, PLS 137/2000 e PLC 89/03, de autoria do Senador Eduardo Azeredo (MG).
 
 
Veja o que o projeto diz no Art. 154-B:

 
"Obter dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular, quando exigida. Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
...
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem mantém consigo, transporta ou fornece dado ou informação obtida nas mesmas circunstâncias do "caput", ou desses se utiliza além do prazo definido ou autorizado.

§ 2º - Se o dado ou informação obtida desautorizadamente é fornecida a terceiros pela rede de computadores, dispositivos de comunicação ou sistema informatizado, ou em qualquer outro meio de divulgação em massa, a pena é aumentada de um terço."



Agora, repare qual é a definição de "dispositivo de comunicação" que o Senador Azeredo inseriu em seu projeto:
"Art. 154-C. Para efeitos penais considera-se:

I- dispositivo de comunicação: o computador, o telefone celular, o processador de dados, os instrumentos de armazenamento de dados eletrônicos ou similares, os instrumentos de captura de dados, os receptores e os conversores de sinais de rádio ou televisão digital ou qualquer outro meio capaz de processar, armazenar, capturar ou transmitir dados utilizando-se de tecnologias magnéticas, óticas ou qualquer outra tecnologia eletrônica ou digital similar;"

 
 
O PROJETO DO SENADOR AZEREDO, NA VERDADE, ESTÁ VOLTADO PRINCIPALMENTE À DEFESA DA INDÚSTRIA DOS INTERMEDIÁRIOS. VISA FUNDAMENTALMENTE:

1- proibir o compartilhamento de arquivos via BitTorrent (... " transporta ou fornece dado ou informação obtida nas mesmas circunstâncias")

2- criminalizar o download, a cópia e o envio de vídeos no Youtube que não estejam com as licenças claramente definidas (... "Se o dado ou informação obtida desautorizadamente é fornecida a terceiros pela rede de computadores...a pena é aumentada de um terço")

3- quer impedir o transporte de músicas e arquivos MP3 em i-pod (... "nas mesmas penas incorre quem mantém consigo, transporta ou fornece dado")

4- definir como crime o arquivamento de filmes que passam na TV (pois a TV digital e o setup box são "os instrumentos de armazenamento de dados eletrônicos ou similares, os instrumentos de captura de dados")

5- tornar um ato criminoso o fato de copiar e scanear livros e papers para o seu computador, pen-drive, sem autorização do autor, mesmo que seja para uso próprio (..."sem autorização do legítimo titular")

6- incentivar a prisão de quem baixa games e aplicativos shareware e os utiliza além do prazo definido pelo vendedor (..."desses se utiliza além do prazo definido ou autorizado")

7- inibir e transformar em criminoso quem cede o sinal da TV a cabo de sua sala para o quarto do seu irmão ou vizinho ("...conversores de sinais de rádio ou televisão digital ou qualquer outro meio capaz de processar, armazenar, capturar ou transmitir dados utilizando-se de tecnologias magnéticas, óticas ou qualquer outra tecnologia eletrônica ou digital similar")


8- transformar milhares de blogueiros que baixam imagens disponíveis na web, com ou sem mudanças em Gimp ou outro software de desenho vetorial, em criminosos. Para Azeredo, quebrar a jenela de um carro para roubar um Toca-CD e copiar uma imagem no Flickr sem consultar o autor deve receber tratamento similar. ("... Se o dado ou informação obtida desautorizadamente é fornecida a terceiros pela rede de computadores...a pena é aumentada de um terço.")

PRECISAMOS nos mobilizar em defesa da liberdade de expressão, contra o vigilantismo e contra a idéia absurda que impede a cópia de um filme, um livro e uma música para uso pessoal. O uso justo é o garante a existência das bibliotecas. É o que garante que o justo equilíbrio entre a apropriação privada da cultura e a disseminação livre e pública dos bens culturais.

O PLC do Senador Azeredo serve aos interesses da indústria de intermediação. Para combater a pedofilia não precisamos destes artigos na lei. Para combater os cracker precisamos de outros dispositivos. No próximo post, mostrarei as consequências nefastas do projeto do Senador Azeredo, que atrasará a inclusão digital e a formação de redes de conexão wireless abertas.
 
 
 
 
saiba mais...
 
  
[de Sérgio Amadeu - post por Volk Anna]
 

para esboroar o que os olhos vêem

 

 

Em cana

 

Uma organização internacional de direitos humanos alertou esta semana

para o fato de que o número de homens e mulheres atrás das grades nos

Estados Unidos subiu para 2,3 milhões de pessoas. A organização

humanitária também afirmou que os negros americanos possuem 12 vezes

mais chances de ir em cana e constituem o alvo preferencial da polícia

norte-americana. Para além das informações estatísticas, aqui do lado

debaixo da América, os presos também são quase todos pretos, jovens,

nordestinos, punks, putas, loucos, bêbados. Diante de tanta prisão,

ainda pode-se ouvir o insuportável silêncio sorridente que vai de São

Paulo à Nova Iorque.

 

esboroar o que os olhos vêem 

 

 

 

http://www.nu-sol.org/flecheira/pdf/flecheira67.pdf

 

 

 

 

Entrevista com Naomi Klein

 
 
 
A contra-revolução do neoliberalismo, um novo livro de Naomi Klein 
 
 
Não houve nenhuma revolta da elite,
mas uma verdadeira e própria contra-revolução

 

 

 

 

 

Para Naomi Klein, autora de Shock economy, seu novo livro, a privatização dos bens comuns e dos serviços sociais será mais gradual do que no passado, enquanto será dedicada maior atenção ao conflito de interesses. Mas, é consolador afirmar que estamos assistindo ao declínio do neoliberalismo.


Afirma, Naomi Klein: "O neoliberalismo tem sido uma verdadeira e própria contra-revolução. Podem de fato mudar os homens, mas os objetivos permanecem sempre os mesmos: mover uma guerra de classes contra os trabalhadores e privatizar os serviços sociais".


A entrevista que segue ocorreu em Roma, deixando ao entrevistador um gosto amargo na boca. Tantas as perguntas a fazer e pouco tempo à disposição. A reportagem e a entrevista são de Benedetto Vecchi e publicadas no jornal Il Manifesto, 26-10-2007.

 

 

Eis a entrevista.


No seu livro descreve a ascensão e a afirmação do neoliberalismo como um produto de laboratório. De uma parte, a escola de Chicago com Milton Friedman, que "dava a linha". Da outra, alguns experimentos piloto, para depois aplica aquelas doutrinas na América do Norte, na Europa...

 

Nos anos cinqüenta e sessenta, Milton Friedman era considerado um nostálgico de uma economia de mercado que não mais existia. O pensamento econômico dominante era de tipo keynesiano. As teses da escola de Chicago eram consideradas a expressão de um extremismo ideológico a favor do livre mercado fora da realidade. A economia estadunidense era próspera graças à intervenção estatal e à "colaboração" entre sindicatos e empresas. Tudo parecia andar numa outra direção daquela que sustentava Friedman.


Por certo sua apologia do livre mercado era seguramente mais aderente aos interesses das grandes corporações, mas nenhum administrador teria intervindo para sustentá-la. Ao mesmo tempo, no entanto, Friedman recebeu enormes financiamentos de fundações prestigiosas, bem como do governo, para continuar as suas pesquisas. As teorias econômicas a escola de Chicago não eram somente expressão de uma ideologia, mas também de precisos interesses econômicos, como os do big business.


Muitos estudiosos ou analistas descrevem com freqüência o neoliberalismo como uma revolta das elites para subtrair-se ao controle do Estado. Não estou de acordo, porque a história da escola de Chicago pode ser considerada a 'cover story' de uma contra-revolução, de uma guerra de classe contra os sindicatos e os direitos sociais dos trabalhadores.

 

Você sustenta que a insegurança e os desastres ambientais são usados como ardil para impor políticas neoliberais. Não crê, no entanto, que precisamente a insegurança possa tornar-se o impulso para um reforço do welfare state? No fundo, o estado social nasce também para resolver o "choque coletivo" que atingira os Estados Unidos e a Europa nos anos trinta e quarenta?

 

Os choques coletivos podem ser usados para introduzir políticas neoliberais, se os homens e as mulheres estão desorientados, sós, ou seja, se sentem sua condição como precária. Na Itália estão em ação movimentos sociais que se batem contra a precariedade das relações de trabalho, pelos direitos dos migrantes, contra a guerra. O problema é se conseguem dar continuidade à sua ação, porque somente um reforço pode ajudar na resistência às políticas neoliberais.


Tomemos como exemplo Vicenza: o projeto de ampliar a base militar estadunidense encontrou a oposição de grupos, associações, centros sociais. Em Vicenza foram evocadas péssimas perspectivas para o seu desenvolvimento, se os trabalhadores fossem bloqueados.

 

Até agora, a presença dos movimentos sociais criou as condições afim de que a chantagem fosse recusada da parte da população. Consideremos a precariedade das relações de trabalho. Há movimentos que se batem contra ela e pela extensão, também aos precários, dos direitos do trabalho. Até agora conseguiram organizar uma parte do trabalho precário. O passo seguinte é de envolver sempre mais homens e mulheres para poder enfraquecer a chantagem a que estão submetidos muitos trabalhadores e trabalhadoras. Creio, pois, que os movimentos devam dar-se uma organização estável, menos efêmera, para reforçar sua ação.

 

Nas minhas viagens de trabalho encontro homens e mulheres que sentem muitíssimo esta urgência política de dar continuidade e força à sua ação política. Talvez possam pecar por otimismo, mas me parece que muitos movimentos estão se movendo nesta direção.
No que diz respeito à tua pergunta, também eu creio ser preciso desenvolver outro tipo de organização social. Não considero, todavia, que esta nova organização social deva ser introduzida de cima para baixo. Deve, de fato, ser desenvolvida a partir da base.

 

No seu livro você escreve que o neoliberalismo se caracteriza não tanto pela ocupação do Estado mas pela privatização de algumas funções que lhe competem, da defesa nacional à saúde e à formação escolar. Houve, depois, o escândalo da sociedade de "contractors" ["empreiteiros"] Blackwater no Iraque e muitos analistas denunciaram como louca a privatização da defesa nacional. Estamos assistindo ao declínio do neoliberalismo? Ou são apenas sacudidas de ajustamento?


O caso do furacão Kathrina é emblemático. Nos primeiros dias após a inundação de Nova Orleans, a mídia estadunidense apontou o índice contra as políticas de desinvestimento da administração Bush no que diz respeito à proteção ambiental.

Mal as águas começaram a se retirar e grande parte do establishment liberal viu no furacão a mão divina que permitia expulsar os habitantes pobres e os afro-americanos, para deixar espaço às empresas privadas. Não creio, pois, que o neoliberalismo tenha chegado ao fim da linha. É óbvio que o escândalo da Blackwaater levanta alguns problemas para os neoliberais.

Mas, na mídia dominante não é criticado o modelo neoliberal, e sim as ações de uma só empresa, neste caso a Blackwater. No final das contas, é invocada maior vigilância sobre as atividades de uma empresa privada que desenvolve uma função estatal, pública.


Estamos assistindo a uma mudança das políticas neoliberais. Haverá maior atenção ao conflito de interesses, que nos Estados Unidos e também na Itália chegou ao paroxismo. Ou ainda, a aplicação das políticas neoliberais será mais gradual. Afirmar, porém, que estamos na crise do neoliberalismo é uma temeridade política autoconsoladora.

 

 

Na Itália há muito interesse pelas primárias do partido democrático nos Estados Unidos e na competição entre Hilary Clinton e Barak Obama. Podem os movimentos sociais condicionar os resultados das primárias no partido democrático?

 


É estranho que o pergunte a mim que sou canadense. Não estou muito interessado no fato de que Hilary Clinton represente os old democratics e Obama os new democratics . E considero estranho que um italiano esteja interessado no conflito entre Hilary e Obama.

 

 

A política estadunidense desde sempre condicionou a italiana. E depois, você vive num observatório privilegiado que é o Canadá. No entanto, o que me interessa entender é que relação - de conflito, de cooptação - os movimentos sociais nos Estados Unidos querem entreter com o poder político e com a política institucional...


O processo eleitoral estadunidense é muito complicado e consome tempo, energias e dinheiro. Se um movimento social procura condicionar o resultado de primárias ou de uma competição eleitoral permanece quase sempre interpolado nos mecanismos políticos americanos. Fê-lo Ralph Nader e não foi muito bem. Fê-lo Move On, correndo o risco de se tornar apenas um componente do partido democrático.


Nos Estados Unidos houve um encontro que a mídia ignorou quase de todo.

 

Refiro-me ao primeiro Fórum Social estadunidense em Atlanta. Centenas de grupos, associações, milhares de ativistas se encontraram para conhecer-se e discutir sobre o que fazer.

 

Os poucos jornalistas que foram a Atlanta ficaram maravilhados, porque viam homens e mulheres que discutiam sobre pobreza, marginalização, direitos dos migrantes, falta de trabalho, direitos à saúde e à instrução pública, ou pacifismo, propondo iniciativas de luta e alternativas praticáveis contra o neoliberalismo, sem esperar que o partido democrático lhes dê atenção.

 

Em outras palavras, penso que os movimentos sociais devem desenvolver sua própria iniciativa, organizar-se, desenvolver uma espécie de contrapoder, sem esperar a existência de um candidato que prometa representar as suas propostas o que seu ponto de vista entre na agenda política de qualquer partido.

 

 

Os movimentos sociais, pelo menos aqui na Europa, não gozam de boa saúde. Houve importantes mobilizações contra a precariedade na França e na Itália. O movimento pacifista inglês continuou a levar à praça centenas de milhares de pessoas. No entanto, são inegáveis as dificuldades dos movimentos sociais. Não crê que estas dificuldades derivem também do fato de que o movimento dos movimentos, para usar uma expressão que é muito cara a você, não corre o risco de desenvolver uma leitura crítica do mundo atual e conseqüentemente desenvolver formas de luta e de organização adequadas?


Concordo. Também nos Estados Unidos os movimentos sociais antiliberais estão em dificuldade. A meu ver, na América do Norte, mas creio que isto possa valer também para a Europa, as dificuldades derivam das conseqüências do ataque às Torres Gêmeas. O 11 de setembro mudou o mundo.

 

O problema é entender como o mudou. Houve a guerra no Afeganistão e depois no Iraque. Guantânamo . As crises econômicas. Mas, ainda não conseguimos colher o pleno sentido daquilo que aconteceu após as Twin Towers. Será necessário tempo para entendê-lo. Espero contribuir, como muitos outros, para entendê-lo.

 

Agrada-me pensar que este livro seja uma pequena contribuição para entender como mudou o capitalismo. 

 

Naomi_Klein_1. cooperação

 

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5a/Naomi_Klein_1.jpg/800px-Naomi_Klein_1.jpg&imgrefurl=http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Naomi_Klein_1.jpg&h=534&w=800&sz=57&hl=pt-BR&start=16&tbnid=LShGvP2mLOe71M:&tbnh=95&tbnw=143&prev=/images%3Fq%3DNaomi%2BKlein%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG

 

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=10649

 

 

 

 

A Doutrina do Choque - Naomi Klein

  
 
 

http://www.youtube.com/watch?v=oFOSAvj8kyE

Livro

Querid@s,
arquivo do livro "A Bomba", de Franck Harris, disponibilizado na pasta "AA - novos uploads".
Boa semana a todos!


UEBA!!!!

Eis o link:

 http://www.4shared.com/account/file/46483213/8ca2ab19/ABomba.html

Em breve irá para a pasta LITERATURA.



Há 40 anos - o Maio de 68

Algumas frases que ocuparam os muros de Paris:

 

 

"Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo"

 

"Abaixo os jornalistas e todos os que os querem manipular"

 

"Sejam realistas, exijam o impossível!"

 

"A imaginação no poder"

 

"É proibido proibir"

 

"As paredes têm ouvidos, seus ouvidos têm paredes"

 

"Se queres ser feliz, prende o teu proprietário"

 

"O patrão precisa de ti, tu não precisas dele"

 

"Todo poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente"

 

"O sonho é realidade"

 

"Todo poder aos conselhos operários (um enraivecido)
Todo poder aos conselhos enraivecidos (um operário)"

 

 
"O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas.
O poder tinha as fábricas, os trabalhadores tomaram-nas.
O poder tinha os meios de comunicação, os jornalistas tomaram-na.
O poder tem o poder, tomem-no!"

 

"Viva o efêmero"

 

"Nós somos todos judeus alemães"

 

"A política passa-se nas ruas"

 

"Viva o poder dos conselhos operários estendido a todos os aspectos da vida"

 

"Trabalhador: tu tens 25 anos, mas o teu sindicato é do outro século"

 

 
 
"Todo reformismo se caracteriza pela utopia da sua estratégia,
e pelo oportunismo da sua tática"

 

 
 
"Quando a Assembléia Nacional se transforma em um teatro burguês,
todos os teatros da burguesia devem se transformar em Assembléias Nacionais"

 

"Juventude Marxista Pessimista"

 

"Acabareis todos por morrer de conforto"

 

"Revolução, eu te amo"

 

"A revolução deve ser feita nos homens, antes de ser feita nas coisas"

 

"Abaixo o Estado"  

 
"Um só fim de semana não-revolucionário
é infinitamente mais sangrento que um mês de revolução permanente"

 

"A revolução não é a dos comitês, mas, antes de tudo, a vossa.
Levemos a revolução a sério, não nos levemos a sério"

 

"Quanto mais amor faço, mais vontade tenho de fazer a revolução.
Quanto mais revolução faço, maior vontade tenho de fazer amor"

 

"Abaixo a Universidade"

 

"Professores, sois tão velhos quanto a vossa cultura,
o vosso modernismo nada mais é que a modernização da polícia,
a cultura está em migalhas"

 

 
"A sociedade nova deve ser fundada
sobre a ausência de qualquer egoísmo e qualquer egolatria.
O nosso caminho será uma longa marcha de fraternidade"

 

 
 
"Tu, camarada, tu, que eu desconhecia por detrás das turbulências,
tu, amordaçado, amedrontado, asfixiado, vem, fala conosco"
 
 
 
"O sagrado, eis o inimigo"

 

"Abaixo a sociedade espetacular mercantil"

 

"Os limites impostos ao prazer excitam o prazer de viver sem limites"

   


 

"Em caso de Revolução, quebre o vidro"

 

 

 

 em_caso_de_revoluca_quebre_o_vidro

 

  Coletivo Baderna - Solidarity - MAIO DE 68

http://www.4shared.com/account/file/22348939/6fc0b848/Solidarity_-_Maio_de_68.html

  [post por Scristina]

 

 

 

O trabalho - Toni Negri

 

 

O TRABALHO1

Toni Negri2

 

Há trabalho em excesso, porque todos trabalham e todos contribuem para a construção da riqueza social. Esta riqueza nasce da comunicação, da circulação e da capacidade de coordenar os esforços de cada um. Como diz Christian Marazzi (La place des chaussettes, Éditions de l'Éclat, Paris, 1997)3, a produção da riqueza é assegurada hoje por uma comunidade biopolítica (o trabalho daqueles que têm um emprego, mas também o trabalho dos estudantes, das mulheres, de todos os que contribuem para a produção da afetividade, a sensibilidade, dos modos de semiotização da subjetividade), produção da riqueza que os capitalistas comandam e organizam através da “deflação”, ou seja, a compressão de todos os custos que a cooperação produtiva e as condições sociais de sua reprodução exigem. A passagem da "inflação" (de desejos e necessidades) dos anos que se seguiram a 68 à deflação dos custos representa a transição capitalista do moderno ao pós-moderno, do fordismo ao pós-fordismo. É uma transição política no seio da qual o trabalho assalariado foi exaltado como matriz fundamental da produção das riquezas. Mas o trabalho ficou separado da sua potência política. Esta potência política vinha dos trabalhadores agrupados nas fábricas, organizados dentro de estruturas sindicais e políticas fortes. A destruição destas estruturas deixou atrás de si uma massa informe - em um olhar de fora - de proletários que se movimentam no território: um verdadeiro formigamento que produz riquezas por meio da colaboração e cooperação contínuas. De fato, se olhamos o mundo debaixo, o mundo das formigas, aí onde se desenrola nossa vida, percebemos a incrível capacidade produtiva que estes trabalhadores doravante adquiriram. Eis o inacreditável paradoxo face ao qual nos encontramos. O trabalho ainda é considerado como emprego, como trabalho "empregado" pelo capital, nas  estruturas que o submetem, diretamente, à organização capitalista da produção.

 

Texto na íntegra: 

http://www.4shared.com/account/file/45560788/9b48d384/o_trabalho_-_Toni_Negri.html

 

_______________________

         Notas da tradução

1. Fonte: << http://perso.wanadoo.fr/marxiens/politic/revenus/saga.htm >>

2. Traduzido por: Cecília Pires e Celso Candido, professores de Filosofia UNISINOS.

3. Ver: << http://www.lyber-eclat.net/lyber/marazzi/place_des_chaussettes.html >>

 

 

 

travail-carton

[Post por Marcel]

 

 

Apocalipse

 

Prezad@s:

"É no prolongamento da potência da máquina que se encontra, em nossa sociedade, a potência humana perdida. É nele que se livra daquele ser coisificado, castrado, diminuído, constrangido a todo instante. Em última análise, trata-se da busca do orgasmo perdido. (Não nos enganemos, os publicitários sabem o que fazem.) Mas, no fim, o motor a combustão, o acelerador e a pista não passam de intermediários entre a impotência ao prazer e o prazer impotente".


Trecho do livro "Apocalipse Motorizado: a tirania do automóvel em um planeta poluído".
Tentarei colocar o texto integral lá na parte de livros.


 Comentário:

Beleza, amig@!

Se já tiver feito o upload, deixe um comentário sobre o local (em qual pasta o arquivo está, ok?).

Se ainda não o fez, daria para fazê-lo na pasta  "AA NOVOS UPLOADS"?

(Para quem está chegando... clique no primeiro link da LISTA DE BLOGS, para acessar a

BIBLIOTECA DO COOPERAÇÃO SEM MANDO (4shared).

Abraços daqui.


 Comentário:  A arquivo do livro "Apocalipse Motorizado: a tirania do automóvel em um planeta poluído" está disponibilizado na pasta "AA novos uploads".
[]'s

 http://www.4shared.com/account/file/45924529/18042e1a/Apocalipse_Motorizado_a_tirania_do_automvel_em_um_planeta_poludo.html

 

 

 

Instintos & instituições

 

 

"O homem não tem instintos, ele faz instituições.

O homem é um animal em vias de despojar-se da espécie.

Do mesmo modo, o instinto traduziria as urgências do animal e a instituição,

as exigências do homem:

no homem, a urgência da fome devém reivindicação de ter pão.

Finalmente, no seu ponto mais agudo,

o problema do instinto e da instituição será apreendido,

não nas “sociedades” animais,

mas nas relações entre animal e homem,

quando as exigências do homem incidem sobre o animal,

integrando-o em instituições (totemismo e domesticação),

quando as urgências do animal encontram o homem,

seja para escapar ou atacá-lo, seja para conseguir alimento e proteção"

 

 

Gilles Deleuze, Ilha deserta, p.23

 

 

 

Foto-0612

 

 

[post por VKA] 

 

 

 

 

 

 

Economia e Meio Ambiente

 
 
 
 
 
Economia e Meio Ambiente
Entrevista com Hugo Penteado


 

 

"Estamos agindo como os habitantes da Ilha de Páscoa, a única diferença é que eles cortaram a última árvore e perderam o solo e a comida numa ilha. Nós estamos fazendo isso globalmente."

 

Em entrevista para este boletim (http://www.ibps.com.br/index.asp?idnoticia=2821), o autor do livro ‘Ecoeconomia – Uma nova abordagem’, Hugo Penteado, fala sobre o modelo econômico vigente e sua relação com o meio ambiente, comentando a teoria econômica e seus mitos. Mais que tudo, Hugo mostra que não adianta apenas substituir nossas tecnologias de produção, o que precisamos substituir fundamentalmente é nossa maneira de vida, eliminando hábitos e comportamentos oriundos de um sistema que nada mais fez senão nos proporcionar miséria, frustração, saturação e infelicidade, e que segue nos conduzindo cada vez mais rápido para a destruição. A questão é: quanto ainda vai nos custar continuarmos vestindo um modelo que não se ajusta aos nossos pés?

 

 

 

IBPS: Qual seu pensamento sobre a relação economia - produção - meio ambiente, ou - como você refere no livro, a relação “agentes econômicos, seus sistemas econômicos e a natureza”?

 

 

HUGO PENTEADO: Os economistas agem como se a natureza não fosse uma variável relevante. Todos os textos que abordam o tema desmistificam a preocupação com a questão ambiental, com a restrição ao crescimento de um planeta finito, e pior, chegam a ponto de abraçar trabalhos “estatísticos” (sobre os quais a dúvida deveria ser maior que a certeza) que declaram ser o aquecimento global um não evento para as economias. Essa certeza dos economistas é assustadora.  A teoria econômica, independentemente de sua corrente, possui três mitos:

 

 

1)     Mito Mecanicista: Os processos econômicos são explicados com as leis da mecânica e por essas leis o sistema econômico é considerado neutro para o meio ambiente.  Todos os processos econômicos mecanicistas são reversíveis, previsíveis e incapazes de gerar mudanças qualitativas no sistema. Ou seja, podemos passar um trator na Amazônia, basta dar marcha-ré que nada aconteceu.  Essa crença não só é inútil, bem como por uma série de perguntas sem resposta, os economistas que derivaram suas teorias da mecânica, não foram capazes de adaptá-las para o avanço da Física que mudou a forma com nós vemos a realidade.  Na verdade, os processos físicos econômicos geram mudanças qualitativas definitivas no sistema. Está na hora de reconhecer isso, pois são esses processos que estão por trás da destruição acelerada dos ecossistemas e da maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos.

 

 

2)      Mito Tecnológico: Embora a tecnologia dependa de outras ciências que não a Economia, os economistas utilizam os avanços tecnológicos para concluir que o meio ambiente é inesgotável.  Os ganhos de eficiência são risíveis quando comparamos com o tamanho da escala produtiva atual, pela qual em um ano produzimos mais que em 100 anos e não paramos de crescer esses fluxos, ignorando veementemente os estoques acumulativos de bens, serviços e pessoas sobre a Terra.  Se reduzirmos bastante o consumo dos recursos naturais por unidade de produto, ao multiplicar pelo total do produto vamos ver como o consumo absoluto dos recursos cresceu exponencialmente, causando devastação global. Estamos agindo como os habitantes da Ilha de Páscoa, a única diferença é que eles cortaram a última árvore e perderam o solo e a comida numa ilha. Nós estamos fazendo isso globalmente.

 

 

3)      Mito Neoliberal: Se os dois primeiros mitos tornam possível acreditar no crescimento eterno de estruturas materiais e populações, o terceiro mito justifica esse objetivo.  Crescer por crescer não tem apelo algum, mas dizer que só o crescimento produz benesses sociais acaba justificando todas as tragédias que estamos produzindo.  É um cego guiando outro cego, pois não existe a menor relação entre crescimento econômico e desenvolvimento, como não existe a menor relação entre crescimento econômico e bem estar ou geração de empregos.  Está na hora de parar de acreditar nas estatísticas e encarar as conseqüências inequívocas do crescimento: concentração de riqueza, destruição dos empregos e da natureza. A concentração de riqueza, que hoje no mundo todo está historicamente elevada, também impede que boas decisões políticas sejam tomadas. Os mitos fazem com que os economistas só analisem a economia em termos de fluxos e taxas percentuais, não olham o consumo absoluto, o estoque das estruturas, como casas e carros, nem o impacto ambiental dessa acumulação.  Também não olham o crescimento populacional contínuo, de mais 200.000 pessoas vivendo na Terra por dia, olham só a taxa de crescimento percentual da população. Está em queda comemoram. O mesmo vale para o crescimento do PIB. Os mitos fazem a gente olhar para o que menos interessa. E sem nos preocuparmos com os reais impactos para a sociedade e a questão ambiental seríssima que estamos vivendo.  Um dia, ninguém sabe quando, esse pesadelo terá um custo muito alto e para todos, sem exceção.

 

 

IBPS: De 1992 para cá, as questões ambientais vêm caminhando a passos muito lentos, muito pouca coisa pode ser vista na prática daquilo que foi decidido e acertado na tentativa de reverter o grave quadro da problemática ambiental. Sem considerar as dificuldades oriundas das deficiências do nosso sistema econômico e político, o quê, na sua visão, está sendo o maior entrave para a evolução das iniciativas ambientais?

 

 

HP: Existem vários entraves para as iniciativas ambientais. O primeiro deles está na teoria econômica incapaz de reconhecer o problema, pois parte do princípio irreal que o sistema econômico é neutro para o meio ambiente e o meio ambiente é inesgotável.  O segundo entrave está na falta da evidência de um colapso ambiental definitivo.  O argumento dos céticos é que podemos ser ricos como os Estados Unidos, afinal, trata-se de um país rico e limpo.  Em primeiro lugar os países ricos como os Estados Unidos e a Europa não são limpos. De acordo com a agência ambiental norte-americana metade dos rios, lagos e zonas estuárias daquele país estão contaminados (com mercúrio, entre outras coisas) e poluídos. Sem falar na questão da destruição de florestas: eles destruíram a quase totalidade das suas florestas. Criaram processos industriais que agrediram o meio ambiente e a sociedade de forma brutal. Mas vamos esquecer isso, vamos fazer de conta que é verdade que os Estados Unidos são um país limpo e ambientalmente equilibrado. Se isso é verdade, podemos fechar todos os portos dos Estados Unidos para os recursos da natureza que ele importa e nada acontecerá.  Na verdade, os Estados Unidos não vivem um colapso ambiental e a China idem, por causa do comércio global. Os habitantes dessa ‘Ilha de Páscoa maior’ estão sendo capazes de, após derrubar a última árvore, continuar derrubando a de outros países. O comércio global, que não dá a menor importância para custos ambientais e sociais, é um mecanismo que impede que países grandes sugadores de recursos da Terra entrem em colapso. Esses países, ao importarem produtos do Brasil, exportam para cá a sua própria insustentabilidade ambiental, e os economistas comemoram com os dólares dessas exportações, que geram pouquíssimos empregos e pouco resultado social, além de devastar nosso meio ambiente. Nada está sendo cobrado por transformar de forma crescente a floresta Amazônica em uma monocultura. Na verdade isso é aplaudido pelos economistas e pelos mercados financeiros. O mais assustador é que a partir de um determinado ponto a floresta irá se destruir sozinha, automaticamente, e sem a floresta a região sudeste do Brasil, onde estamos, ficará sem água. Ou seja, estamos indo imprudentemente até o limite desse sistema surrealista e isso é, como eu disse, comemorado.

 

Finalmente, os economistas estão convencidos em não se preocupar com o meio ambiente, como se não precisássemos dele para nada, por três motivos: restrição ao fluxo migratóri